O pão nosso de cada dia

É tradição, em muitas religiões, incluir um pedido nas preces diárias para que o homem seja suprido nas necessidades da vida. Em todo o mundo cristão, o trecho da prece “o pão nosso de cada dia nos dai hoje” é repetido muitas vezes. Essa frase é, aparentemente, uma súplica à força divina que se acredita governar o universo, por parte daqueles que sentem que enquanto o homem reside nesse mundo físico e vive em dependência dele, as coisas de que ele tem necessidade devem ser buscadas e supridas.
É lógico questionar que tipo de interpretação deve ser dado a este ato – se o pedido do homem para que lhe sejam dadas as coisas necessárias, com as quais manter a sua existência, deve ou não ser considerado no sentido literal ou puramente simbólico. É difícil, para nós que vivemos na época atual, acreditar que a solicitação deva ser considerada como literal. Certamente, com a inteligência que o homem tem desenvolvido e aplicado às circunstâncias que encontra no seu ambiente físico, é difícil acreditar que possa pensar que uma força divina, ou Deus, possa atender literalmente ao seu pedido para supri-lo com as necessidades da vida, sem seu esforço.

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A Desigualdade Humana

Por que são os homens tão diferentes, cada qual tão singular e dessemelhante do outro? Quando Lincoln falou, em seu discurso em Gettysburg, da “proposição de que todos os homens são criados iguais”, estava exprimindo um pensamento filosófico duvidoso. Eles são iguais, ao nascer, em capacidade mental, saúde e aptidões físicas, moral ou oportunidades? As enormes desigualdades que sabemos existir, impedem qualquer suposição de que os homens nascem em condições iguais. Lincoln teria estado muito mais perto da verdade se dissesse, à semelhança de Ingersoll, que “somente na democracia dos mortos são os homens, finalmente, iguais.”
Pode a questão de a diferença ser explicada pela hereditariedade ou pelo meio ambiente? Em qualquer família as crianças são, todas, diferentes. Alguns irmãos e irmãs são tão dessemelhantes, que parece incrível que tenham os mesmos pais.

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Imaginação e Intuição

As imagens da fantasia são conjuntos de ideias que não se seguem necessariamente de maneira lógica, como uma relação de causa e efeito. Fantasias ou devaneios devem ser distinguidos de imaginação. Na fantasia não há qualquer tentativa de relacionar as ideias com probabilidades ou fatos. Não se faz esforço para determinar se uma ideia é coerente com aquilo que a segue. Todos podemos relembrar os devaneios, as fantasias de nossa infância, e perceber quão irrealistas hoje os consideramos. As alucinações sob a influência de drogas se enquadram também neste gênero de formação mental de imagens.
Na imaginação, também visualizamos ou formamos imagens mentais, porém o processo é bastante diferente. Na imaginação, aduzimos ideias. Podemos pensar com relação ao futuro, isto é, quando imaginamos podemos projetar nossos pensamentos para a frente. A imaginação origina-se no presente. Escolhe determinada coisa ou condição, e procura modificá-la, aprimorá-la, fazê-la evoluir ou mudar. Em imaginação, por exemplo, pode um homem ver a necessidade de um certo aparelho capaz de poupar trabalho. Passa ele então a visualizar as coisas que precisam ser inventadas para eliminação desse trabalho.

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A Verdade

Um conceito ou vocábulo que é difícil de tornar claro é “Verdade”. De início ela parece, sempre, bastante simples para se compreender; todavia, sob interrogação, o indivíduo torna-se, muitas vezes, confuso quanto ao seu total significado. Se fosse formulada uma pergunta a alguém que exigisse uma resposta única, verdade ou mentira, a pessoa poderia considerar a verdade de maneira absolutamente objetiva. Por exemplo, se fosse solicitado que ela respondesse se é verdade ou mentira a afirmação: “Você está usando um chapéu”, ela poderia, muito facilmente, declarar que a afirmação é verdadeira ou falsa dependo simplesmente do fato de estar, ou não usando chapéu. A verdade, portanto, define o estado ou condição existente. É, sempre, aquilo que descreve o que existe, como oposto ao que não existe.

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Experiência Mística

A experiência mística tem sido classificada como “inefável”. Somente aqueles que experimentaram a consciência da Unidade podem compreendê-la verdadeiramente. A palavra é inadequada para expressá-la. Quando solicitado a descrever a natureza da realidade divina, disse São Bernardo: “Posso explicar aquilo que é inexprimível?”
A consciência unitiva, afirmam os Upanishads, está “além de toda a expressão,” e de conformidade com Plotino, a “visão impede a revelação.”
Por que o místico sente que a palavra é insuficiente para revelar suas experiências transcendentes a outros? E, por quê, se a palavra é um veículo tão falho para descrever a experiência, ele escreve e fala sobre sua experiência com vigor e inspiração?
Em todas as épocas, tanto a literatura dos místicos como a dos profanos tem se ocupado da natureza da consciência unitiva. Obras como os Koans dos budistas Zen e The Cloud of Unknowing, foram criadas como orientação para os aspirantes ao estado de Unidade. Essas, todavia, são apenas interpretações da experiência ou sugestões intelectuais.

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