Do que o Homem se Alimenta?

Do que o Homem se Alimenta?

Philippe Deschamps, FRC

Em primeiro lugar, a humanidade não se alimenta somente de pão, mas também de ideais. Sem eles, o egoísmo e os interesses puramente materiais e utilitários tomam o poder. Em seguida, um fermento de unidade que traga uma concepção espiritual da vida é sempre necessário à uma vida coletiva. (…) o progresso das sociedades permanece indissociável do progresso do homem. (…) Uma parte de nossa sociedade acreditou, durante décadas, que a apropriação coletiva dos bens de produção podia resolver todos os problemas sociais. A outra parte acredita ainda que o mercado é o soberano regulador e o grande promotor de todo o progresso. Estas duas concepções possuem algo em comum: o homem não aparece nelas, é o grande ausente. E, no entanto, ele representa o móbile de toda e qualquer construção comunitária.

Refletir unicamente sobre as estruturas econômicas e sociais sem considerar o progresso dos seres humanos conduz uma sociedade, mais cedo ou mais tarde, ao fracasso. A história provou largamente este fato… e continuará a fazê-lo.

O indivíduo humano não é somente um animal aperfeiçoado que poderia eternamente se satisfazer com uma função de produtor e consumidor. Sem querer ofender nossos prestigiosos economistas, é impossível reduzir o homem a um simples estômago ou ao homo faber, por mais inteligente que seja. Antes de tudo, o ser humano é um ser espiritual, que possui suas exigências também neste plano.

No momento atual, os problemas que todo o planeta enfrenta demonstram amplamente que não pode existir aperfeiçoamento para a sociedade sem progresso do homem em paralelo. A principal preocupação dos dirigentes mundiais consiste em melhorar as condições exteriores de vida, sem levar em consideração que as relações humanas, o crescimento e progresso de uma pessoa são os primeiros e mais importantes fatores de felicidade. Não é necessário ir muito longe para encontrar a perda do bom senso que estende perfidamente seus tentáculos sobre as cidades e se insinua em todas as classes sociais. Poluições de toda sorte, o excessivo consumo das riquezas minerais e de matérias primas, a ausência de fraternidade mundial, provam que é ainda o homem primitivo, apenas saído do neolítico, que está no poder. Ele está apenas engatinhando em sua tentativa de evolução. Como não tem a consciência exata de sua verdadeira natureza, permanece prisioneiro de sua voracidade animal.

Constata-se facilmente que as sociedades modernas têm correntes mais ou menos subterrâneas, que entram em constante contradição umas com as outras. Em razão do significativo aumento dos lobbies, existe atualmente uma imensa falta de coerência nas orientações dos governos. O espírito de unidade e projetos coletivos a longo prazo são, em consequência, grandemente prejudicados. Não é mais a ideia do bem maior humano que se persegue, que se procura alcançar, mas sim uma política do cotidiano orientada e dirigida por grupos de pressão. O que pode resultar disso senão o caos?

Esta via não teria, contudo, muita coisa a ver com a ideia de desenvolvimento pessoal pois, esse processo geralmente se inclina a desenvolver o ego e resulta de uma visão utilitária, ou mesmo mercantil da existência.

Uma via espiritual autêntica como a dos Rosacruzes, visa a fazer do homem mestre de sua vida. Essa abordagem repousa em uma ontologia, quer dizer, em um conhecimento das leis do ser e das leis da necessidade cósmica. Graças a esse conhecimento, o que é verdadeiramente livre e divino em cada um, pode realmente se expressar. Com efeito, só o mestre, isto é, aquele que alcança o domínio de si e das leis da existência, poderia reivindicar a liberdade.

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