Vivendo nas Nuvens

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Vivendo nas Nuvens

 Spencer Lewis, FRC

Aqueles que não podem compreender a verdadeira orientação e propósito do estudo místico e espiritual, estão propensos a afirmar que as pessoas que se sentem dispostas a fazê-lo “vivem nas nuvens”. Esta afirmação, de modo geral, é feita com a intenção de representar um comentário detrativo ou, pelo menos, uma insinuação de tendências fanáticas. Sem dúvida alguma, sempre revela uma atitude inconcebível nos tempos que correm.

Na verdade, o estudante dos valores espirituais e o buscador de conhecimento esotérico que revela os princípios mais sublimes da existência, não são pessoas dadas a pensamentos abstratos e atos contrários à razão. Poderão, de quando em vez, viver nas nuvens em seus pensamentos espirituais e, mesmo, frequentemente elevar sua consciência a um reino mais sublime ou a um plano bem distante das coisas materiais da vida. Essas pessoas, todavia, compreendem perfeitamente o fato de que o homem se encontra neste planeta para algum propósito muito definido. Compreendem que desde que sua consciência foi projetada de uma fonte divina, espiritual, para se ligar a uma forma física no mundo material, há para elas uma missão muito exata na vida, missão essa que somente poderá ser cumprida enfrentando as condições que ela apresente e executando os deveres e obrigações terrenais.

O verdadeiro místico não é pessoa que baseie suas investigações do mundo espiritual na falsa premissa da negação das condições terrenas e materiais. O místico é, em todas as ocasiões, um buscador do domínio, e esse domínio inclui a conquista dos problemas terrenos, assim como a compreensão exata das verdades espirituais. Ele compreende, portanto, que o desenvolvimento espiritual e as glórias mais sublimes da vida devem ser conseguidos pela elevação, passo a passo, do plano terrenal para os planos que à sua frente possam existir, e que essa consecução deve ser promovida pelo domínio dos obstáculos ou limitações naturais que o circundam.

Somente o sonhador ocioso e o indivíduo que desconhece as verdades fundamentais acreditam poder situar-se acima e além do ambiente específico desta terra, na qual Deus e os princípios cósmicos os colocaram. O místico não interpreta a ocorrência de seu nascimento como obra do acaso, mas sim como decorrência de lei, ordem e sistema. Não considera que todas as experiências terrenas são secundárias, mas primárias. Não procura enganar a si mesmo com a filosofia de que o propósito final da existência é o aniquilamento das experiências terrenas e dos esforços materiais. Desde que alguma lei ou princípio divino decretou sua encarnação terrenal, e desde que há algum propósito definido a ser realizado nesta encarnação, ele procura sempre descobrir a razão e finalidade da existência terrenal e o trabalho específico que foi para ele determinado ou planejado como meio para sua evolução individual.

O verdadeiro místico acredita que o homem evolui das atividades primitivas e fundamentais da existência terrena para as condições sublimes e mais completas do desenvolvimento espiritual. Ele reconhece, nas provas e tribulações da vida terrena, a luta entre o bem e o mal, a luz e as trevas e o desafio à sua própria fortaleza.

Do mesmo modo que os antigos místicos-filósofos acreditavam no polimento da pedra cúbica e no arredondamento de suas arestas para que ela pudesse se tornar uma pedra mais perfeita, acredita o místico que os elementos mais grosseiros de sua natureza terrena e as facetas mais toscais de sua personalidade devem ser eliminados para que o ouro puro de sua consciência e ego possa se elevar ás paragens sublimes que ele conserva na mente como a meta de sua existência. Ele não permite que a sua visão se detenha exclusivamente num portal etéreo e intangível, nem que todos os seus pensamentos e ações sejam influenciados por um sonho fanático ou esperança de um Nirvana no qual ele possa viver como um ser situado acima e além de todos os deveres e obrigações terrenais.

O místico se mostra tão intensamente interessado nas leis e princípios da estrutura atômica e molecular da matéria, quanto na integridade espiritual da fonte divina da vida. É igualmente prático na aplicação das leis materiais da natureza e dos princípios espirituais. Seus sonhos se dividem entre os empreendimentos materiais aqui na Terra e as realizações espirituais do futuro. Mantém seus pés firmemente na Terra e sobre a rocha desta existência material, embora permitindo à sua consciência, de quando em vez, lançar-se às alturas sublimes da vida futura.

Ele não antecipa nem almeja um período indefinido do futuro em que toda a fecundidade e faculdade criadora de sua consciência material cheguem a um fim, terminando a sua utilidade no grande esquema das coisas na Terra por uma existência etérea e espiritual de nenhum valor para Deus e para o homem. Ele prevê, ao contrário, que suas realizações aqui o levarão a uma escola espiritual de mais profundos ensinamentos, onde será preparado para uma outra oportunidade para alcançar maiores vitórias e realizar, mesmo, esforço mais intenso de evolução e contribuição para o aperfeiçoamento do homem, e que isto se repetirá, de tempos em tempos, até que todos os seres humanos aqui na Terra tenham atingido o grau de perfeição em que a existência material não mais seja necessária.

Todavia, embora o místico aguarde esse resultado inevitável para todos os seres, regozija-se com a oportunidade de viver entre os homens, de patentear-lhes sua amizade, e de executar os grandes ciclos de evolução que Deus decretou. Seu desejo é o de servir e trabalhar na vinha e não o de repousar ao anoitecer e encontrar paz eterna sem realizações ou responsabilidades. Isto é o que constitui a verdadeira natureza do místico e do buscador da iluminação, da sabedoria e da luz espiritual. Estes ideais devem ser os de todos os Rosacruzes pois esse é o propósito da fraternidade, e esse tem sido o espírito que tem animado todos os seus fundadores e líderes e transmitido, através dos séculos, poder, felicidade, satisfação e alegria interior aos seus líderes e seguidores de todas as épocas.

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