Senso de Propósito

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Senso de Propósito

Carol H. Behrman, FRC

Qual o seu propósito na vida? Pergunte isto ao seu vizinho. Ele poderá manifestar espanto. De qualquer forma, a maioria das pessoas provavelmente não seria capaz de formular uma resposta ou mesmo de desejar fazê-lo. A média dos homens atualmente parece não saber a resposta. É possível, mesmo, que a pergunta nem seja formulada.

Nem sempre foi assim, todavia. O homem primitivo tinha um propósito definido na vida. Seu objetivo era simples, imediato, sem complicações e urgente: a sobrevivência! Quando confrontado com vários e alternativos modos de ação, ele sabia como tomar sua decisão: escolher o caminho que com maior probabilidade o levaria à sobrevivência. Para ele não havia neuroses nem confusão de valores. A vida pode ter sido perigosa, porém tinha certamente um propósito.

Depois, em algumas civilizações primitivas, a introdução de seres sobrenaturais e deidades deu maior significado e valor às fases e rituais do nascimento, do crescimento e da morte. Os antigos hebreus encontraram o seu Deus, e dedicaram sua vida ao propósito de seguir Suas leis e difundir a mensagem de Sua individualidade entre os povos do mundo. Desde então, nações têm surgido e desaparecido, porém este senso de propósito sublime tem preservado a identidade judaica através de milhares de anos de perseguição e sofrimento, e de suas tradições nasceram duas grandes religiões mundiais que deram sentido e propósito, durante séculos, à vida de seus seguidores.

O objetivo dos antigos gregos era tornarem-se verdadeiros deuses. Empenhavam-se em viver a vida perfeita, uma vida plena, com todas as características da virtude e da moderação. Somente após começarem a perder de vista este ideal, a perder este senso de propósito, é que sua civilização declinou.

E Roma? A subordinação do indivíduo à glória do Estado. A Roma, tudo! Este ideal pode parecer carente de nobreza aos olhos modernos, olhos que viram a variedade moderna de adoração ao Estado precipitar o mais sangrento holocausto de todos os tempos. Todavia, foi ele útil para os antigos romanos para que se tornassem senhores do mundo conhecido e verem, depois, sua glória definhar e morrer quando o propósito foi substituído pelo comodismo obstinado e os ideais pela satisfação material.

Todos eles sabiam o que queriam. O que dizer, todavia, a nosso respeito, hoje? A sobrevivência, isoladamente, não mais é propósito suficiente na vida. As bem-sucedidas batalhas contra a doença e as contingências econômicas proporcionaram à maioria dos homens uma agradável expectativa de razoável longevidade. Planejamos para o futuro, com despreocupação e segurança.

Naturalmente, a sombra de batalhas passadas ainda paira sobre nós como nuvem de destruição inimaginável que rapidamente se avoluma. Todavia, esta ideia e suas implicações são tão grandes, tão além da percepção da mente humana normal, que a maior parte de nossa existência é por elas afetada apenas indiretamente. Sabemos que elas existem, porém vivemos nossas vidas como se elas não existissem. Em nossa mente consciente, esperamos nascer, chegar a maturidade, casar, criar os filhos, e chegar à velhice em conforto material.

Isto, porém, não é suficiente. Isto é apenas existir e não viver uma vida significativa. Nossos antepassados encontraram sentido na fé religiosa, num universo ordeiro criado por um Deus ou Espírito justo e amante. Hoje, a crença religiosa tradicional parece ter se tornado obsoleta.

Assim, o que temos para nos apegar para dar sentido à nossa existência? Bens materiais, isto é o que temos. A riqueza tornou-se um deus, e o comodismo é o seu templo. Pergunte o leitor ao seu vizinho: “Qual o seu objetivo na vida?” e se ele falar sinceramente, sua resposta refletirá, principalmente o desejo de proveitos materiais.

Nada há de errado com respeito a esses desejos. São desejos humanos, justos. Apenas não darão bom resultado como objetivos básicos. Não são propriamente objetivos para toda a vida e podem, quando muito, apenas nos proporcionar satisfações passageiras.

Você está ganhando tanto quanto o Sr. Jones? Bem, que dizer do Sr. Smith; ele ganha mais; como você pode então estar satisfeito? E quando se equiparar ao Sr. Smith haverá um Sr. Brown à sua frente. Possui um carro novo? Dentro de dois meses, novos modelos serão postos à venda. Mantenha-se alerta, ou ficará para trás!

Tudo que cheguemos a possuir será sempre pouco para nos satisfazer. Há sempre lugar para mais, sempre um senso de carência de algo, uma lacuna nova e torturante. Essa concentração nas coisas e nos prazeres deixa campo cada vez menor para relações humanas mais significativas, de modo que quanto mais temos mais sentimos necessidades de algo a mais ou, se apenas pudéssemos disto nos aperceber, de alguma coisa diferente.

Quando estamos afastados de nós mesmos e dos outros, tomamos decisões erradas porque não sabemos realmente o que queremos. Pensamos que queremos poder, quando realmente buscamos amor. Pensamos que desejamos riqueza, quando verdadeiramente precisamos de serenidade. Buscamos a autossatisfação, quando realmente carecemos de um senso de harmonização com o universo e com toda a humanidade.

Perdemos o nosso senso de propósito? Os velhos valores foram postos de lado, porém descobrimos alguma coisa significativa para substituí-los? É difícil admitirmos que a nossa vida não tem sentido, porém até que possamos disto nos aperceber jamais seremos capazes de buscar e de descobrir novas metas. E teremos de encontrá-las, pois sem um senso de propósito o homem perde o contato com a centelha divina que sublima e ilumina a vida. Ele se torna meros destroços em um oceano de existência inconstante e carente de sentido. Terá, de descobrir um leme, o rumo, e ser capaz de dizer como o poeta William Ernest Henley: “Sou o senhor do meu destino; sou o capitão da minha alma.”

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