Respeitar Pai e Mãe

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Respeitar Pai e Mãe

Quando eu era criança, chamava meu pai de senhor, minha mãe de senhora e usava este mesmo tratamento para com os professores, avós e todas as pessoas mais velhas. Este tratamento gerava respeito, mas criava também um distanciamento nas relações, e de certa forma dificultava um diálogo mais franco e aberto.

As coisas mudaram. Hoje as crianças e jovens tratam todas as pessoas mais velhas por você. Esta forma de se dirigir aos adultos coloca-os no mesmo nível dos amigos. Isto é bom, já que a relação fica muito mais fácil quando estamos falando com pessoas no mesmo nível que o nosso.

Entretanto, está se perdendo, nesta relação, algo muito mais profundo, e que faz parte da cultura há milênios, que é o respeito devido às gerações mais velhas. Essa perda está acontecendo junto com a perda de outros valores importantes, sob a influência de uma sociedade que valoriza o ter, em detrimento do ser.  Os nossos meios de comunicação, incutem na cabeça das pessoas, que a felicidade está diretamente ligada a aquisição de bens de consumo de toda espécie. As crianças e jovens, como ainda não desenvolveram um espírito crítico, são altamente influenciáveis por estas sugestões.

O prêmio pelo bom comportamento, pela boa nota na escola, não é mais o próprio ganho que o jovem tem, já que é a vida dele que será melhor se estudar bastante e tiver um comportamento adequado. Há uma constante negociação onde o cumprimento daquilo que é uma obrigação, passa a ser a moeda para a aquisição de objetos de consumo e satisfação de desejos. Se eu passar de ano, você me dá um videogame? Libera a Internet? Compra um celular?

Será que bons pais são aqueles dão coisas aos seus filhos? Ou será que os bons pais são aqueles que conseguem transmitir valores? Crianças podem querer tudo o que veem na TV e outros meios de comunicação, podem desejar todas coisas que os amigos têm. Mas o que elas precisam mesmo é de amor, carinho, diálogo e algumas coisas um pouco esquecidas atualmente como disciplina, estímulo para resolver seus próprios problemas e aprender a lidar com as frustrações de não ter tudo o que desejam, pois o que desejam, nem sempre é aquilo que necessitam.

Então, mesmo que sejam chamados de “você”, Pais tem que ser mais que amigos. Têm que exercer a autoridade, saber dizer não, direcionar e orientar. Se não fizerem isto, os filhos podem se sentir órfãos e crescer sem saber como enfrentar as dificuldades que a vida, com certeza, vai oferecer e para as quais não estarão preparados se os pais não impuserem alguns limites, resolverem todos os problemas por eles e satisfizerem todos os seus desejos.

Platão, quatro séculos antes da era cristã, fez uma advertência, que exige uma reflexão muito grande nos dias atuais: Quando os governantes abusam de seu poder; quando os pais se habituam a deixar os filhos sem disciplina; quando os filhos não prestam  atenção às suas palavras; quando os mestres tremem diante de seus alunos e preferem bajulá-los; quando, finalmente, os jovens desprezam as leis e a moral porque não reconhecem acima deles a autoridade de nenhuma coisa ou pessoa, então surge ali em toda a beleza e em toda a juventude, o nascimento da tirania.

Ao agir com sabedoria e bom senso, ensinando os filhos a descobrirem o prazer da convivência amorosa e respeitosa com aqueles que têm mais experiência, os pais estarão contribuindo para que eles desenvolvam o que há de melhor em si mesmos, para que cresçam com a convicção interior de que são pessoas de valor, merecedoras do mesmo respeito que dedicam àqueles que os ensinam.

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