Realize o ponto de vista simples

Realize o ponto de vista simples

Arthur C. Piepenbrink, FRC.

De todos os seres vivos, o Ser Humano tem um atributo fascinante que lhe é peculiar. Ele pode parar e refletir sobre o que está fazendo. As árvores, plantas, animais, pássaros e peixes sentem-se impelidos o agir e o fazem. Raramente fariam uma pausa para perguntar: “Por quê?” Mas, o Homem pode fazer uma interrupção nas suas atividades diárias – interrogar os elementos do seu ambiente – e, então, dispender horas seguidas, tentando encontrar as respostas. Pode, literalmente, parar de viver por consumir tempo questionando as razões que expliquem porque está vivo. Ele cria complexidades, partindo de simplicidades. Descreve uma gota d’água em observações volumosas e encerra o seu exame, criando a dúvida sobre se a gota de água é, ou não, úmida. Pergunta se uma árvore que cai produz ruído se não existe ninguém para ouvi-la. Não é suficiente que respire – deve saber se aspira o ar ou cria simplesmente uma abertura, na qual o ar é empurrado pela pressão atmosférica.

Então, milhares e milhares de volumes são tratados que abordam as complexidades da filosofia, da religião, do idealismo; e cada um deles procura narrar, numa linguagem diferente, as experiências íntimas conscientes do autor. Um, diz que Deus está em toda parte; outro, que não existe Deus. Para alguns, Ele é espírito; para outros, é simplesmente super-homem.

O outro plano tem tantas descrições diferentes quantos autores que o descrevem, e nenhum deles tem mais autoridade que o outro. Através de tudo isso, o homem se debate mentalmente, num esforço para descobrir os segredos da vida, dos quais é ele um. Sonha com uma solução simples, uma explicação simples para o significado e finalidade da vida.

Para a média das pessoas, a simplicidade está imediatamente fora do seu alcance, porque buscam-na em pessoas e coisas diferentes de si mesmas e como a experiência de outrem é diferente da própria, falham em compreender a explanação alheia. Estão sempre prontas, quando em face de um problema, a se referir à opinião de outras pessoas quanto à sua causa. Como o caminho do menor esforço é perguntar a alguém qual o seu ponto de vista antes de pensar a respeito por si mesmas, tornam-se escravas de opiniões e ideias externas. Essa prática humana, muito natural, é a causa da maioria das complexidades da vida. As pessoas terminam por não saber em quem, ou o que, acreditar.

Para obter a maestria e a felicidade, a pessoa deve realizar o ponto de vista simples. Deve cessar de fazer uma estrutura do nada – cessar de construir montanhas com nuvens. A chave da vida não está encerrada em algum manuscrito misterioso, nem oculta atrás de um véu. Não é a vida que é confusa e complexa, mas as diferentes noções que o Homem tem a seu respeito.

 

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