Nosso Potencial Interior

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Nosso Potencial Interior

Carol Behrman, FRC

Parece impossível compartilhar dessa aventura chamada vida sem encontrarmos dragões ao longo do caminho que, algumas vezes, se arremetem contra nós como o fracasso, a impostura, o desprezo, as privações, as frustrações. Os ferimentos podem ser incuráveis, mesmo letais.  “Ele morreu de tanto sofrer” não é conto da carochinha, mas uma descrição por demais acurada de muitas vidas desnecessariamente destruídas.

Desnecessariamente destruídas!

Ninguém tem de ser mortalmente destruído por esses obstáculos. É possível armar-se de maneira a tornar impotentes essas forças negativas. O desespero e a tristeza são impotentes para destruir aqueles que desenvolveram recursos espirituais, um poder interior que pode favorecer e iluminar a caminhada nas florestas em que habitam essas sombrias criaturas.

Isto não quer dizer que a infelicidade possa ser evitada sempre. O sofrimento é uma parte tão necessária da vida quanto a alegria. Devemos conhecer igualmente o fracasso e o sucesso, o desprezo e a boa acolhida, a espoliação e o galardão.

Ninguém desejaria evitar as reações emocionais a esses acontecimentos, pois os danos seriam muito maiores do que os benefícios. Que valeria a vida sem amor, arrebatamento, realizações? Todavia, para desfrutar dessas delícias devemos também estar preparados para enfrentar os seus opostos que são, afinal de contas, apenas diferentes partes do mesmo fruto. O místico libanês Kahlil Gibran escreveu. “Tua alegria é a tua tristeza sem máscara. E o mesmo poço em que nasce o seu sorriso muitas vezes se encheu com tuas lágrimas”.

Diz certa máxima popular que em cada vida algumas gotas de chuva cairão. Pois bem, qualquer pessoa pode suportar um pouco de chuva. Todavia, são as tempestades e as nevascas que se transformam em causa da nossa destruição, as tristezas profundas, insuportáveis, são as que ameaçam a nossa estabilidade emocional: a perda de um ente querido, o fracasso no trabalho, a falsidade e o desprezo daqueles a quem fizemos confidências.

Todos nós conhecemos pessoas que foram praticamente destruídas por essas ocorrências ou cuja capacidade de trabalho foi grandemente prejudicada. No entanto, outras parecem ser capazes de suportar as tribulações e delas se libertar sem profundas cicatrizes. Qual o seu poder? Onde se encontra a fonte de sua fortaleza?

A capacidade de algumas pessoas para suportar calamidades que destroem outras tem base em uma percepção altamente desenvolvida do Eu, um sentimento inato de mérito, tão genuíno que nenhuma pessoa ou acontecimento pode desvanecer. Ele decorre da percepção consciente (ou mesmo inconsciente) de si mesma como entidade poderosa, autêntica, como relevante expressão da força vital que confere vida e forma ao universo.

Uma pessoa convencionalmente religiosa poderia exprimir esse conceito da seguinte maneira: “Deus me ama, não por qualquer peculiaridade especial que eu possa possuir, mas apenas porque Eu sou! O místico poderia afirmar: a força vital habita em meu interior. Eu e ela somos um só. Isto basta!”. Toda pessoa sente em seu interior a essência eterna, positiva, na qual se sente integrada com todas as forças da criação e da luz. Como, então, poderia sentir medo das trevas, das misérias que apenas são poeira diante desta poderosa verdade interior? Ela tem a fortaleza de viver o sofrimento e dele se libertar, de renunciar à confortadora presença de um ente querido, de aprender pelo fracasso e de compadecer-se daqueles que se entregam à prática do ódio e da falsidade.

Como pode alguém conseguir essa serenidade, essa perfeição? Ela não pode ser comprada em uma loja, e vestida como se fora um traje novo. Poucos são afortunados em já nascerem com ela. Outros devem evoluir para alcançá-la por meio de esforço e determinação, trabalho e estudo, e autoanálise impiedosa. É necessário desenvolvermos compreensão da natureza do universo, de seus ritmos e vibrações, e das forças que nos unem a ele e uns aos outros,

À medida que aprendermos a compreender a ordem e beleza e a transcendente unidade de todas as coisas, adquiriremos a mais profunda de nossa essência central e o valor essencial e inalterável de cada pessoa como expressão dessas maravilhas. É um paradoxo o fato de que perder a sensação do próprio Eu é descobri-lo e fortalecê-lo. Quando nosso espírito se anula para se unir a todos os outros, ele se torna uma entidade poderosa que jamais será alquebrada pelas tensões e privações da existência ou pelas ações mesquinhas de outros. Somos então sensíveis ao sofrimento, a cólera à frustração, porém jamais ao ponto de sermos destruídos por essas emoções.

Para aqueles que desenvolveram esse poder interior, as vicissitudes se tornam um desafio, um teste para o espírito para que possa crescer e adquirir maior fortaleza, a fortaleza para superar o fracasso com o sucesso, o ódio com o amor e a ruína com a reabilitação.

Toda pessoa tem em seu interior a semente da vitória sobre a adversidade e o sofrimento. Com atenção, prudência e disciplina apropriada, essa semente embrionária pode se transformar em uma personalidade saudável, altruísta, com poder para suportar e superar todas as tormentas de uma existência e propiciar uma vida gratificante e feliz.

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