Olhando para o Futuro

Futuro

Olhando para o Futuro

William Homick

O velho caminhava a passos nervosos diante da escrivaninha. “Visão, mon sieur, você deve ter visão para ser bem-sucedido”, dizia ele.

O jovem, rabiscando um maço de papéis em sua escrivaninha, levantou os olhos. Ambos se encontravam num escritório de um dos edifícios menos imponentes de advogados em Paris.

“Oui, Monsieur LeClerc”, respondeu o jovem advogado em tom cordial. “Eu preciso de conselhos, e muito aprecio seus esforços em me ajudar”. Com ligeira inclinação de cabeça, LeClerc aquiesceu, e havia em seus lábios quase que um sorriso de condescendência enquanto ele alisava a longa barba preta que cobria seu sobretudo.

“É por isto que eu estou aqui – mas você deve olhar para o futuro! Onde estaria meu nome se eu não pensasse no amanhã? O nome LeClerc é conhecido em Paris porque você tem que ter algo de profeta.”

Aproximando-se da escrivaninha, LeClerc toma em suas mãos o que o jovem estivera escrevendo. “O que é isto?” pergunta ele, lendo alguns parágrafos de uma fantástica viagem à Lua.

O inexperiente advogado ofereceu uma desculpa esfarrapada, enquanto colocava fora de alcance do chefe o maço de papel onde estavam escritas bizarras explorações submarinas e voos espaciais.

Sem fazer nenhum comentário, e dando pouca importância ao que acabara de ler, enquanto colocava de volta o manuscrito na escrivaninha, disse o velho em tom categórico, “Nesta profissão, você deve ter visão Monsieur Jules Verne”.

 

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