O Poder da Compaixão

O Poder da Compaixão

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Cecil A. Poole,  FRC

Tenho, para mim, que duas das faculdades humanas que evidenciam evolução superior a outras formas biológicas que habitam o Planeta são a Piedade e a Compaixão, cuja prática é da competência exclusiva dos seres humanos. As formas de vida que não possuem o grau de inteligência manifestado pelo Homem e certas formas vitais mais elevadas, parecem viver como entidades isoladas exceto, talvez, quando parasitam a vida alheia de que depende a sua própria subsistência ou existência. Em toda a natureza muito pouco se evidencia a emoção da Compaixão que, quando manifestada pelo homem eleva-o do reino animal ou material àquele que associamos ao que há de divino.

Muitas religiões têm defendido o conceito de Deus como um Ser que expressa Compaixão para com a raça humana. Grande número delas costuma mesmo referir-se aos seres humanos como filhos de Deus, isto é, a religião tenta estabelecer o conceito de Deus como sendo de todos os homens um Pai perfeito e que Ele tem consideração e, acima de tudo, Compaixão diante das tolices em que se podem constituir as nossas práticas diárias comuns, como entidades individuais humanas que somos. Por conseguinte, a Compaixão está no pensamento humano, particularmente no campo da ética ou moral, da religião e da filosofia, estreitamente ligada aos mais elevados conceitos da conduta humana. É o conceito que o Homem atribuiu à conduta ou comportamento Divino. Consequentemente, os que sustentam tão altos ideais e princípios acreditam, de modo geral, que é o Homem compassivo o que mais se assemelha a Deus.

Seria então verdade que a Compaixão é uma forma idealística, muito elevada, de conduta? Na expressão da Compaixão, o indivíduo, pelo menos por um momento, deixa que algo assuma o controle dos seus pensamentos e o controle da sua conduta, o que o torna despido de egoísmo, isto é, ocorre uma importante reação emocional que, momentaneamente, faz com que o indivíduo se esqueça de si mesmo. A capacidade de praticar a Piedade e a Compaixão deve dar alguma substância à crença de que a raça humana tem sido peculiarmente favorecida por uma força ou Ser Divino, que tem especial atenção pela humanidade.

Alguns poderão questionar ou, até mesmo se prontificar a debater se as manifestações de Piedade e Compaixão pertencem, ou não, exclusivamente à raça humana e a uma fonte Divina situada acima do nível da humanidade. Tenho lido muitas alegações, com foros de verdade, que também tendem a indicar conduta de uma natureza compassiva ou evidência de piedade, por parte de outras formas de vida. Não creio que exista prova real conclusiva sobre a existência, ou não, de tais formas de conduta, pelo menos, do mesmo ponto de vista expressado pelo Homem.

Nos últimos anos, venho tentando descobrir, mediante observação pessoal, se a Compaixão ou piedade se expressa, ou não, no cão que é comumente considerado como sendo um animal de alto nível intelectual. Em certas ocasiões acreditei ter testemunhado a evidência da Compaixão na conduta de um cão. Em outras cheguei à conclusão de que a conduta evidenciada pelo animal foi, simplesmente, por mim interpretada como sendo Compaixão e não como sendo um ato compassivo da parte do próprio animal. Não diria que a Compaixão é impossível em outras formas de vida. Mas não creio que alguém possa discordar que a manifestação de piedade e Compaixão na conduta humana seja a mais plenamente evoluída.

A Compaixão é uma experiência pessoal. Como muitas emoções, é algo que não pode ser controlado pela razão, nem tão pouco pela razão podemos predizer a sua manifestação e atuação. É algo que não podemos analisar, sendo bastante estranho que exista ocasiões em que os seres humanos devem ser movidos pela Compaixão e não o são, enquanto que, em outras oportunidades, evidencia-se a Compaixão sem que ela pareça ser de utilidade.

Existe uma certa diferença entre Piedade e Compaixão. Expressamos piedade mais frequentemente do que o fazemos com relação à Compaixão porque, aquela, implica num sentimento terno para as circunstâncias de outro indivíduo, ela é, algumas vezes, uma forma de sentimento desdenhoso. Em certas ocasiões, temos piedade com desdém, pois sentimos que o indivíduo que a recebe não está numa posição digna de recebê-la. Tal sentimento não é um grau elevado de conduta humana. A Compaixão, por outro lado, é Piedade, mas, também, é muito mais do que isso. É a Piedade mesclada com um desejo urgente e, algumas vezes, irreprimível de ajudar o objeto da Compaixão ou, mesmo, poupar o indivíduo de outras circunstâncias que lhe fariam objeto da nossa Piedade. Por conseguinte, a Compaixão é uma força propulsora que nos faz desejar ajudar outrem ou poupá-lo de circunstâncias que, de algum modo, possam lhe causar sofrimento ou inconveniências.

É, portanto, de certo modo, Divina, porque nos leva à compreensão de que a vida não se limita a nós somente, como indivíduos, mas à sociedade como um todo, e que quando consideramos a existência e o bem-estar de outros indivíduos, estamos contribuindo para as virtudes que estabelecem os princípios que a humanidade sempre procurou: Paz, Amor e Harmonia entre todos os seres. A Compaixão é, pois, uma emoção muito importante a ser transmitida às gerações vindouras.

Se pudéssemos nos tornar conscientes da importância da Compaixão e ser propriamente educados para senti-la e expressá-la, realizaríamos muito mais do que todas as conferências de chefes políticos, durante muitos anos, no futuro. A Compaixão é a chave para a paz porque não podemos lutar ou não podemos propositalmente causar mal, dano ou sofrimento a qualquer Ser ou objeto pelo qual tenhamos Compaixão. Se estabelecermos em nosso código de vida o desejo de sermos compassivos com relação ao sofrimento de qualquer Ser e para a preservação da vida como um sentimento íntimo, emocional, dentro de nós mesmos, então, a raça humana há de crescer no sentido de uma finalidade muito mais otimista e produtiva de maior bem do que se verifica atualmente.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

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