O Mundo ao Nosso Redor

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O Mundo ao Nosso Redor

Dan Sotry, FRC

O desenvolvimento da atitude de uma criança para com o mundo natural depende grandemente da observação das atitudes e ações de seus pais. Os pais são, decididamente, a influência mais importante na formação dos valores pelos quais suas crianças considerarão o meio ambiente.

Se meus filhos me virem atirar latas vazias e outros resíduos pela janela do carro, é quase certo que eles passarão a acreditar que essa é a maneira normal de nos livrarmos de restos, quando estiverem em um carro. Se me virem derrubar pequenas árvores ou arrancar arbustos para abrir espaço para acampar ou pescar, aceitarão tal maneira de proceder como natural.

A limpeza e preservação do meio ambiente não é apenas uma questão de aplicarmos nosso conhecimento científico, como muitos de nós gostaríamos de pensar, mas na verdade, envolve uma mudança de nossas atitudes. Dispomos da tecnologia, mas até que cada um de nós, como indivíduos, sinta intimamente a responsabilidade de fazer aquilo que seja necessário para acabar com os abusos cometidos contra nossa maior herança, a natureza, pouco será conseguido. E desde que muitos de nós não fomos habituados desde a infância a sentir essas responsabilidades, nossos problemas de poluição e degradação do meio ambiente se tornam principalmente um problema para educar nossos filhos. Somente com uma mudança de atitude os esforços em favor do Planeta terão resultados.

No desenvolvimento de um valor novo em nossa sociedade, acredito repousar a maior esperança de salvação para o nosso meio ambiente. A educação torna-se, portanto, um problema de como melhor podemos instilar em nossos filhos esse valor que fará com que, quando adultos, não apenas aceitem o cuidado necessário para proteger nosso ambiente, mas sintam que a preservação desse mesmo ambiente é normal e natural, e que isso é o que tem de ser feito. Sem dúvida, isto pode ser conseguido, porém somente se ensinarmos aos nossos filhos que somos tanto uma parte do ambiente quanto o são todas as demais coisas viventes; que há relação mútua entre nós mesmos, os animais e a vida vegetal que cobre a superfície da Terra.

Se pudermos ensinar aos nossos filhos de modo que se tornem cientes da vida ao seu redor, para que manifestem respeito e sentimento de afinidade para com ela, então muitos dos problemas da preservação estarão automaticamente solucionados. Eles abrigarão o desejo fundamental de preservar seu ambiente porque acharão natural viver em harmonia com tudo que os cerca. Compreenderão que toda a vida é uma parte de sua própria existência, e quem deseja prejudicar uma parte de si mesmo?

Como ensinar aos nossos filhos o valor da ecologia? A resposta é dupla. Primeiro, devemos lembrar que devemos dar o exemplo. Podemos dizer-lhes repetidamente: ”Não sejam desorganizados!” mas, se eles observam que nós também o somos, que farão? Nossas próprias ações os influenciarão muito mais do que qualquer número de lições orais.

Há pouco tempo, minhas crianças e eu estávamos entrando no carro quando uma abelha penetrou na manga da minha camisa e ferroou o meu braço. Minha filha de sete anos disse que preferia que não houvesse abelhas; que as abelhas eram más!

Essa afirmação inocente, ofereceu magnífica oportunidade para uma rápida lição sobre as maneiras naturais e instintivas de reagir dos animais e insetos. A abelha apenas fizera o que era natural quando se viu apertada entre meu braço e a manga da camisa. Contei-lhe sobre a importância das abelhas na fabricação de mel e na polinização das plantas. Assim, usei uma experiência desagradável para incutir em meus filhos uma atitude de apreciação e defesa da natureza.

A segunda maneira de auxiliarmos nossos filhos a desenvolverem valores ecológicos requer um pouco mais de tempo e atenção. Quase todos nós vivemos em áreas congestionadas pouco favoráveis ao contato com a natureza. Eu mesmo vivo em uma região razoavelmente povoada, não obstante, bem perto da minha casa há uma área parcialmente arborizada que é a última barreira contra os avassaladores projetos de construção. De vez em quando, meus filhos e eu perambulamos por esta região e falamos sobre as coisas que vemos.

Examinamos tocas de roedores para ver se são recentes ou antigas e se estão habitadas ou abandonadas. Procuramos aranhas em suas teias. Comparamos o cheiro de diferentes plantas. Algumas vezes, sentamos e ouvimos as coisas que não podemos ver. Ouvimos os pássaros cantar, os arbustos se mover e os insetos zunir. Estou ensinando-lhes a usar todos os sentidos. O olfato e a audição são meios compensadores para sentir a individualidade dos animais e do mundo vegetal que os abriga.

O contato com a natureza não é tão difícil como parece. É desnecessário empreender longas caminhadas às montanhas ou ao deserto para fazer com que nossos filhos apreciem o mundo natural.  Queremos que eles compreendam que há vida tanto nas inúmeras e maravilhosas espécies das colinas próximas quanto nas impenetráveis selvas da Amazônia ou da África.  Na verdade, algumas das caminhadas mais proveitosas podem ter lugar em nosso próprio quintal. A ideia não é apenas transmitir-lhes conhecimento sobre florestas, mas ajudá-los a se tornarem conscientes da importância de todos os aspectos da vida, desde o menor inseto à mais pujante árvore.

Sentemos com nossos filhos na grama do quintal e comecemos a observar. Tenhamos uma lupa à mão. É possível que não apenas consigamos fasciná-los com a grande variedade de animais de aparência estranha, mas provavelmente nós também ficaremos tão fascinados quanto eles. Observemos as mariposas aglomerando-se em volta da luz da varanda, à noite; comparemos umas às outras. Quando em um piquenique ou uma excursão ao campo, façamos um passeio para apreciar a natureza.

Não tentemos ensinar aos nossos filhos o ciclo de vida de um pinheiro, mas fazer com que eles cheirem diferentes espécies de flores e arbustos. Procuremos ouvir o farfalhar no matagal, procuremos pássaros ou borboletas. Sentemo-nos tranquilamente e deixemos que eles vejam o mundo se tornar vivo ao seu redor, em odores, ruídos e visões. Façamos isto em qualquer lugar. Eduquemo-nos à medida que os educamos. Verificaremos que isto se tornará um passatempo verdadeiramente proveitoso e, com o passar dos anos, nossos filhos aprenderão algo mais importante do que simples fatos biológicos; eles terão se tornado conscientes de que há vida em tudo que os rodeia, e que ela é maravilhosa, bela, e incrivelmente variada. E desde que eles se apercebam da importância de todas as coisas viventes no esquema da natureza, crescerão desejando proteger seu ambiente contra todos os abusos.

A recompensa de semelhante valor ecológico será tremenda não apenas para nós mesmos, como indivíduos, mas para nossos filhos e também para todas as coisas viventes. Aprenderemos que Deus não está morto, que ele não deixou de existir devido à arremetida tecnológica do homem, mas que, de algum modo, nós simplesmente o esquecemos!  Aprendendo a considerar toda a vida e a nós mesmos como um todo complexo, nós e nossos filhos finalmente sentiremos Sua presença. Vivendo em harmonia com o nosso ambiente, descobriremos que a vida é realmente algo que podemos cheirar, ouvir, tocar, ver e degustar, como foi destinada a ser. Somos dela uma parte, e ela é parte de nós; portanto, ela deve ser preservada para todo e sempre.

Com semelhante compreensão e crença instilada em nossos filhos por um valor ecológico, então, quem poderá duvidar de que o futuro de nossa grande herança natural perdurará para os nossos filhos, para os filhos dos nossos filhos e para todas as coisas viventes desfrutarem pelas gerações vindouras?

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