O Livre Arbítrio

livre-arbitrio

O Livre Arbítrio

Arthur C. Piepenbrink, FRC

Através dos séculos, a questão do livre arbítrio tem provocado muitas discussões e disputas filosóficas. O Homem é o dirigente do seu destino ou ele é impulsionado por decretos naturais e divinos que o conduzirão a pontos predeterminados da sua evolução, a despeito da sua vontade?

A liberdade em qualquer uma das suas utilizações é um conceito relativo. Depende de questões prévias como: livre de quê? e livre para fazer o quê? Provavelmente, não existe algo como a liberdade absoluta, visto como cada elemento da vida está confinado, pelo menos, às limitações da sua própria constituição. A própria natureza não pode ser outra coisa senão aquilo que é. O Cósmico existe, e, nessa declaração, confinamo-lo à existência eterna. Ele não pode deixar de existir ou cessar a sua existência.

No mundo menor do microcosmo, diz-se que uma árvore é livre para crescer, mas o seu crescimento é confinado às suas limitações próprias. Ela só pode crescer onde está, só pode fazê-lo até determinada altura e dentro de certo ritmo. Ela só poderá ser do tipo de árvore contido na semente da qual se derivou.

Referentemente à vontade, sabemos que o seu ato denota liberdade. O uso da palavra livre, com a palavra vontade, é supérfluo. O fato de termos vontade significa que podemos escolher, e a escolha é a própria essência da liberdade. É a determinação entre as alternativas, a base da decisão. Se podemos escolher entre várias alternativas, somos, por isso mesmo, livres para escolher. Se não fôssemos livres para escolher, não teríamos, na realidade, a possibilidade de escolha. A escolha, ou vontade, é do mesmo modo limitada. Ela está confinada às alternativas entre as quais a escolha deve ser feita.

O Homem, com a sua vontade, assemelha-se a um comandante de navio quando no mar. É livre, sob certos aspectos, e está confinado, somente, aos limites que lhe são impostos pela natureza da própria existência. Um comandante de navio pode fazer várias escolhas. Pode prosseguir devagar ou rapidamente, para Leste ou para Oeste, diretamente, ou fazendo movimentos e curvas, para este ou aquele lado. Mas, estará sempre no mar. Estará sujeito às suas ondulações, às suas calmarias e às suas correntes. Ele é, também, comandante de um navio, um veículo com várias limitações. Só poderá escolher onde o mar e o navio permitirem uma escolha.

O Homem tem muitas escolhas possíveis, mas ele só pode escolher aquelas que o seu veículo físico e o seu ambiente lhe permitirem. Como o comandante de um navio, o Homem tem um objetivo, uma meta para a qual está se dirigindo, a meta é harmonia ou paz mental. Como as determinações da harmonia devem ser confrontadas pelo Homem, ele realmente não tem outra alternativa senão esforçar-se por viver em harmonia com a vida.

Assim, enquanto ele é comandante do seu destino e pode escolher dentre muitas alternativas, deverá, de preferência, selecionar o rumo que o conduzirá mais rapidamente ao seu objetivo. Em virtude dos meios para alcançar a harmonia estarem presentes, ele é realmente conduzido por forças naturais e divinas, para pontos mais avançados da sua evolução, e, como ele alcança o ponto para qual se dirigia, dizemos que é predestinado. Entretanto, ele não é, nem mais nem menos, predestinado, do que um comandante de navio, que chega a um porto de escala há muito antecipado.

 

Compartilhar/strong> Artigo

Sobre o Autor

Comentários

Comments are closed.