julho 30, 2015 AMORC GLP

A propósito da Nova Ordem Mundial

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Serge Toussaint, FRC
Grande Mestre da Ordem Rosacruz para os países de língua francesa

Como vocês certamente sabem, algumas pessoas denunciam na internet a emergência daquilo a que chamam de « a Nova Ordem Mundial », chegando às vezes até mesmo a dizer que os rosacruzes participam ativamente desse processo que julgam negativo para o mundo. Com muita frequência essa teoria é relacionada com a da « conspiração internacional », a qual postula que indivíduos e grupos conspiram ou fazem complôs para exercer sua hegemonia sobre a condução do mundo. De fato, esse tipo de sermão não é novo, mas o uso da internet lhe conferiu uma ressonância mais ampla.

Certamente, por efeito da globalização, não se pode negar que a economia, a política e outros âmbitos da atividade humana tomaram uma dimensão internacional e se exprimem através de redes de influência que transcendem as fronteiras geográficas. Desta feita, existem efetivamente correntes políticas, econômicas e outras que buscam exercer influência sobre a marcha do mundo ou lhe dar esta ou aquela orientação. Mas disso a falar de nova ordem, de complô ou de conspiração… ? E o que seria então da « Antiga Ordem do Mundo »? Não teria ela também seus conspiradores e seus conluios?

Se formos julgar pelos discursos dos denunciantes da Nova Ordem Mundial ou da conspiração internacional, temos muitas vezes o sentimento de que estes emanam de ideólogos que “atiram para todos os lados” e veem inimigos em potencial em qualquer indivíduo ou grupo que não partilhe de suas opiniões quanto à política, à economia, às relações internacionais etc. Trata-se de uma atitude ao mesmo tempo sectária e paranóica que por si só se constitui ela própria numa manipulação de consciências. Na realidade, estes ideólogos fazem aquilo que reprovam nos outros quando estes é que fazem, utilizando para tanto a mentira, a confusão e o amálgama.

De qualquer forma, a AMORC não conspira nem tampouco faz complô contra ninguém, assim como também não busca de nenhuma forma instaurar, sozinha ou com outros, uma nova ordem mundial. Certamente, ela se dedica a despertar as consciências, mas sem distinção de raças, nacionalidades, religiões, opiniões políticas ou outros elementos aparentemente distintivos. A espiritualidade que ela propõe por sua filosofia e seu ensinamento nada tem de dogmático. Além disso, seus responsáveis sabem que ela jamais será um “movimento de massa” e que sempre reunirá uma minoria de indivíduos. Seus membros e simpatizantes, por sua vez, são pensadores livres.

Se por um lado eu me sinto totalmente estranho às noções de Nova Ordem Mundial ou de conspiração internacional, por outro eu desejo contudo o surgimento de uma Nova Consciência Internacional fundada sobre a partilha, a cooperação e a fraternidade entre todos os povos. Do meu ponto de vista, isto só se produzirá a partir do momento em que a grande maioria dos homens e mulheres compreender que todos formam uma única família de almas e que estão ligados por seu destino, o que pressupõe que despertem para ideais, se não espiritualistas, ao menos humanistas.

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