Não-Violência

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Não-Violência

Charles V. Parucker, F.R.C

O Homem, procurando seu bem-estar, desenvolve concepções filosóficas, que se aprimoram no decorrer do tempo. O conceito da não-violência ou da não-agressividade tem crescido lentamente, embora, em oposição, a violência aumente nas comunidades superpovoadas como demonstram os cientistas.

Jesus, em sua missão terrenal, trouxe-nos a mensagem de retribuir a agressão com o amor, oferecendo a outra face, após sermos ofendidos por nossos semelhantes. Terá sido vã sua causa, após dois mil anos de sua existência, ainda nos agredimos mutuamente sem eiras nem beiras?

Diariamente agredimos e somos agredidos por meio de gestos, de palavras e até por pensamentos. Nosso planeta Terra está convulsionado generalizadamente, em quase toda sua superfície, por agressões de guerras ou guerrilhas, por ataques e confrontações originários das mais diversas causas e origens. Aos nossos olhos desfilam no noticiário os movimentos de libertação e de opressão, os jogos do interesse político e econômico, as divergências raciais e religiosas, as ambições, vaidades e prepotências.

O Homem agride o Homem por qualquer razão, mas sempre dentro de sua própria razão. Sua ótica permite-lhe odiar, maltratar, matar ou vingar-se de outros Seres Humanos, justificando-se perante sua própria consciência. As experiências individuais da civilização terão ainda que se repetir muitas e muitas vezes, para que tenhamos adquirido o domínio do conceito de não-agressividade.

Desde a idade primitiva o ser humano agride o seu semelhante e se condiciona para se proteger das agressões, o que de outro modo, passa a ser também nova forma de agressão. Permitia-se ao que foi agredido vingar-se e fazer, portanto, justiça, com punições muito mais drásticas que a própria injúria ou dolo causado. As culturas mais simples aceitavam ainda, que as punições se estendessem às gerações sucessivas do agressor, estendendo-se até a décima ou mais, para compensar males causados.

É no IV século antes da Era Cristã que Moisés procura uma nova verdade e estabelece corajoso conceito na época: a tese de que qualquer punição aplicada deveria ser proporcional à injúria provocada. “Olho por olho, dente por dente” refletia o máximo equilíbrio de justiça que passaria a vigorar entre os homens, no plano jurídico do direito.

Quanto tempo ainda se passará até que a humanidade tenha aceitado, pelo menos, esta ideia de que a justiça deva ser proporcional à falta cometida? A lei do Talião, de Moisés, procurou restringir a praxe da retribuição ilimitada do mal pelo mal, quando para se vingar a morte de um membro da tribo, exterminava-se sumariamente a tribo inteira do agressor ou se prosseguia na luta de destruição até que tal propósito fosse atingido.

Jesus de Nazaré aprofunda-se na tese de que a ofensa causada ao Homem, não o atinge, mas sim a Deus. A ofensa atinge globalmente o Cósmico e, portanto, toda prática agressiva do Homem estabelece uma condição cármica pessoal, que necessita ser compensada. E sua lei de Não-Agressão é profundamente apresentada através do Sermão da Montanha. O Amor que devemos ao nosso próximo deve pelo menos coibir que façamos ao nosso semelhante tudo aquilo que não gostaríamos que fosse feito a nós próprios.

No mundo contemporâneo foi Mahatma Gandhi quem mais vivenciou a mensagem crística de não-agressão. Foi ele quem conseguiu derrotar os poderosos ingleses nas oportunidades de libertação da África do Sul e de seu próprio país, a Índia, aplicando o estado de “ahimsa” de resistência passiva aos seus opressores, insistindo com veemência que tal atitude fosse adotada por todos seus concidadãos, sem quaisquer vestígios de violência, quer física, quer verbal, quer mental, mantendo para com todos que lhes agredissem atitudes internas e externas de benevolência. Sua vida de exemplar renúncia à agressividade toma-se possível ao chegar-se à plenitude do amor pela evolução interior do homem. “E basta um único homem alcançar esta plenitude para neutralizar o ódio de milhões”.

Podemos dirigir nossa conduta pessoal para a não-violência de forma a criar condições de um mundo melhor. Acho que se começarmos pela palavra, estaremos criando condições tão favoráveis à nossa volta, junto aos que nos são chegados, que inúmeras facilidades se estabelecerão ao nosso viver diário.

Como nos ensina Mabel Collins: “Antes que a voz possa falar na presença dos Mestres, deve ter perdido a possibilidade de ferir”. Desejo solicitar-lhes que durante os próximos trinta dias pratiquemos a não-agressividade intencionalmente, cultivando palavras criativas de compreensão e de tolerância para com todos que entrarem em contato conosco. Vamos irradiar Luz e Amor em cada palavra proferida.

Façamos diariamente um momento de reflexão, uma autoanálise para eliminarmos os pontos negativos de agressividade interna, que levamos involuntariamente aos outros. Durante os próximos dias, reflexionemos sobre como minimizar nossa agressividade pessoal e praticar a não-violência para com todos os Seres do Universo.

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