A UNIDADE DO MISTICISMO

misticismo

A UNIDADE DO MISTICISMO

Cecil A.Poole, FRC

O misticismo é classificado, pela mente popular, como algo de natureza misteriosa ou semi-religiosa, algo que tem pouco valor prático ou, mesmo, qualquer finalidade na vida diária das pessoas. Para nos aproximarmos do estudo do misticismo como força unificadora, podemos dizer que é uma ciência da vida que reúne os vários caminhos da contemplação que o homem faz de si mesmo e do seu lugar no Universo.

Aceita-se, geralmente, que uma das finalidades primárias da vida é atingir um certo grau de felicidade. A maior parte de nós considera a felicidade como um estado de mente e do corpo, no qual o indivíduo sente-se satisfeito consigo mesmo, e com o que o cerca; e, ao mesmo tempo, pode desfrutar de algum conforto e prazer físico e mental. A procura da felicidade deu nascimento a todas as expressões culturais da civilização, tais como as artes, a religião, a filosofia e a ciência. Estas expressões são as realizações culturais a que o homem deu origem como uma companhia para o próprio ato de viver, embora seus esforços tivessem sido dirigidos, primariamente, para a obtenção da felicidade.

Dentre as expressões culturais originadas pelo homem nesse processo, a religião e a filosofia são, provavelmente, as maiores e as de efeito mais distante. Elas são o ponto de maior aproximação que o homem obteve da verdadeira sabedoria. A religião e a filosofia são os produtos mais refinados das realizações humanas. Nelas, encontramos as maiores expressões possíveis dos sentimentos e da razão humanas. Quando associamos o sentimento e a razão no equilíbrio apropriado, obtemos a mais completa manifestação das nossas potencialidades. Em tal equilíbrio, temos evidência da vida humana para um propósito definido. Essas duas expressões da realização cultural do homem, supriram o ímpeto mais forte para a evolução da civilização, o conjunto dos esforços e conhecimentos humanos. Estes incluem a obtenção da beleza, amor, justiça, simpatia, gentileza, tolerância e liberdade, que indicam um grau de domínio do ambiente. O uso, ou manifestação, dessas qualidades é habitualmente, aceito como pertencendo aos mais elevados valores das realizações humanas.

A expressão cultural do homem produziu seus frutos de muitos modos. Mas, deve-se compreender que a filosofia e a religião são os instrumentos pelos quais o Ser humano pode ser transformado, do Ser físico que normalmente é, em Ser divino que é, potencialmente. Tanto a religião como a filosofia, esforçam-se por proporcionar o ímpeto e os meios pelos quais o homem pode se elevar, de um estado de simples homem, à sua existência genuína, como parte complexa de uma força ou entidade divina.

Esta evolução do homem para a realização de suas possibilidades potenciais, não é facilmente observada pela média dos indivíduos. Presentemente, os valores superiores da vida estão sendo desafiados de todos os modos possíveis; isto é, há uma preponderância de ênfase, na parte física e material. A ciência moderna, com as suas realizações materiais, deu, ao homem, as amenidades de uma vida altamente confortável e de economia de trabalho. Desafortunadamente, todas essas realizações e conhecimentos não trouxeram a paz e a felicidade que o homem esperava atingir, nem contribuiu, sempre, a ciência, para que o homem atingisse a finalidade ou as metas que esperava conseguir. Não obstante, não devemos deixar de reconhecer que a ciência, como a religião e a filosofia, tem os seus próprios valores. Ela preencheu um lugar e continuará a fazê-lo, como uma das realizações do Homem.

Poucos negarão que o mundo necessita uma reafirmação de valores espirituais que foram providos e mantidos pelas grandes religiões e sistemas filosóficos que floresceram em vários períodos da história. O que o homem necessita, hoje, mais do que qualquer coisa, é a coordenação de todas as fontes de sua civilização e a colocação de todas as realizações do seu pensamento num sistema que combine os maiores êxitos da religião e da filosofia, com as realizações da ciência. Todas as realizações do Homem necessitam de harmonia e coordenação. Há necessidade de uma filosofia da ciência e uma ciência da filosofia, para que se equilibrem mutuamente. A civilização poderá, então, progredir com a obtenção, por parte do Homem, do controle sobre o universo físico, através do desenvolvimento da força ou do poder existente em seu interior, que é o seu contato com o Divino.

Os meios pelos quais tal acontecimento pode se tornar genuíno, devem derivar do poder da vontade dos indivíduos em se afirmarem, a ponto de indicar a sua preferência por valores eternos. O indivíduo que consegue tal finalidade, deve ter a visão de um místico e o espírito prático de um cientista físico. O misticismo, quando devidamente compreendido, é a bandeira sob a qual ambos podem funcionar, porque o misticismo é o ponto de união pelo qual todo ser humano tem uma oportunidade de atingir a compreensão da sua essência divina e de expressá-la de forma dinâmica e prática na vida

Pela combinação de suas forças culturais e científicas e unindo essa combinação com sua compreensão espiritual e potencialidades psíquicas, o homem terá alcançado a completa realização do seu destino e de seu devido lugar no Universo. O controle do conhecimento físico e das realizações materiais na sua relação adequada para com a finalidade da existência humana, é dependente da sua compreensão de que o canal apropriado é o do misticismo. Como místico, o homem pode ser um Ser humano prático; e ao mesmo tempo, sem intermediários, dirigir a sua consciência e pensamento para Deus e para a compreensão da finalidade e unidade do universo.

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