Medo e Superstição

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Medo e Superstição

Cecil A. Poole, FRC

Os homens e mulheres reflexivos sabem que o medo e a superstição sujeitam muitas pessoas ao que se poderia chamar de estado de escravidão mental. Por que, em um tipo de civilização de outras maneiras progressistas, a superstição pode exercer tal influência e poder sobre as pessoas? Quase toda pessoa a quem nos dirigíssemos, hoje em dia, com uma pergunta categórica, negaria que é influenciada pela superstição. Afirmaria que seus pensamentos e ações se fundamentam, principalmente, na razão.

Embora muitos de nós não nos preocupemos com a sexta-feira treze ou com os gatos pretos que cruzam o nosso caminho, há, todavia, outras superstições mais ou menos predominantes na maneira de pensar de um número maior de pessoas do que normalmente poderíamos acreditar. A despeito de a razão ser considerada como guia ideal e aplicação vantajosa de nossas próprias faculdades mentais, nós, mais do que percebemos, recorremos a concepções e ideias errôneas que não têm base em fatos.

O estudo das leis e princípios universais, assim como o desejo sincero, altruísta, de autoaperfeiçoamento e desenvolvimento, torna o indivíduo mais confiante no efeito de seus próprios pensamentos e nas filosofias construtivas que foram transmitidas através das eras. A análise racional liberta a humanidade da escravização das ideias e dos pensamentos. O raciocínio é um dos grandes inimigos da superstição.

Um ponto de vista filosófico surge com o exame das ideias e a rejeição dos pensamentos baseados no raciocínio falso. Este é a semente da superstição. Se analisarmos os raciocínios falsos, chegaremos à conclusão de que nada mais são do que falhas na maneira de pensar do homem, geralmente pelo fato de ele ser excessivamente crédulo ou excessivamente preguiçoso para pensar ou recorrer à voz interior para obter a solução correta.

Por exemplo, um raciocínio falso é chegarmos a determinada conclusão unicamente porque observamos dois acontecimentos se seguirem um ao outro. Este processo leva à conclusão falsa de que o acontecimento posterior é consequência do primeiro. Isto é ilustrado pela superstição de que a quebra de um espelho traz má sorte. Alguém, em uma época qualquer, passou por uma fase de má sorte que se seguiu à quebra de um espelho. Essa maneira de pensar superficial não permitiu, todavia, uma análise razoável da relação de causa e efeito. Se eu ouvisse uma campainha tocar e, ao mesmo tempo, cortasse um dedo, seria ridículo concluir que toda vez que uma campainha tocasse eu sofreria um corte no dedo.

Um outro erro na maneira de pensar é a tendência, por parte dos seres humanos irreflexivos, para se obstinar a levar em consideração aquilo que se poderia chamar de ocasiões negativas, isto é, a tendência para rejeitar a busca da prova conclusiva daquilo que pareceu se desenvolver como relação de causa e efeito. Quantos espelhos já foram quebrados sem que ninguém sofresse má sorte? Muitas pessoas poderiam pensar em ilustrações desta natureza com relação às suas próprias experiências. Todavia, o indivíduo que, ao contrário, prefere tirar conclusões precipitadas ou seguir um raciocínio falso, mais depressa aceitaria uma relação intangível de causa e efeito para não tentar provar que a relação verdadeiramente não existe.

Muitas pessoas têm a sua vida atada às superstições. Toda a sua existência se torna miserável pela preocupação, mesmo com as ações mais insignificantes, comuns, do viver cotidiano, em determinar se a boa ou má sorte a elas se seguirá.

O medo está estreitamente ligado à superstição. A pessoa que permite que a superstição penetre em sua mente e controle grande número de suas ações, faz com que a superstição se torne mais forte em sua consciência, pelo medo. Embora, se não tivéssemos medo em certo grau, seríamos mais temerários em nossos hábitos de viver, isto é, o medo pode nos refrear para que nos protejamos contra danos corpóreos e não tomemos riscos desnecessários que colocariam em perigo o nosso próprio ser ou aqueles por quem temos alta estima, o medo gerado pela superstição é limitante e desnecessário.

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