Janelas e Portas

Janelas e Portas

Alpha L. Wolfe, F.R.C

Da mesma forma que uma planta de construção será incompleta a menos que contenha janelas e portas, assim também, nenhuma vida será plenamente vivida sem os meios de expressão objetivo e subjetivo. Olhamos pelas janelas, que deixam entrar luz e ar. Entramos e saímos pelas portas. Em nossa vida, a memória é a única janela que contempla o passado, enquanto que a imaginação serve como a porta através da qual penetramos no futuro. A realização, no presente, e a antecipação para o futuro, contribuem para completar os elos de acontecimentos de nossa vida. Na verdade, os olhos são as janelas da alma.

Ao olharmos para o mundo, nossa alma vê através de janelas claras e brilhantes ou através de vidros opacos e embolorados com acúmulo de fumaça, pó e sujeira do meio ambiente. Quando compreendemos pouco do que vemos e percebemos nossas interpretações podem ser falsas. Somos como a mulher que criticava a lavagem de roupa de sua vizinha ao observá-la através da sua própria janela coberta de pó e fumaça.

Nossas recordações podem estar tão anuviadas como estavam suas janelas, quando deixamos de contemplar o verdadeiro significado de viver harmoniosamente conosco mesmos e com outros. Amar a nós mesmos como ao próximo mantém nossas janelas claras como cristal; conservar as dobradiças de nossas portas bem lubrificadas nos permitirá abri-las e fechá-las sem ruído. Fechamos nossas janelas e portas para evitar criaturas indesejáveis. Há, também, pensamentos indesejáveis que não devemos permitir entrar em nossa mente. Visitantes indesejáveis podem roubar-nos tempo precioso se não forem evitados. Colocamos cortinas nas janelas para graduar a intensidade de luz. Trancamos as portas e janelas para proteger nossa vida e propriedade ou para desfrutarmos de sossego em nosso próprio lar. Quando abrimos nossa porta devemos ter algum objetivo em mente.

Porta aberta é como mente aberta, com entrada e saída à vontade. Depende de nós, fechar a porta de nossa mente contra qualquer tentação para não desperdiçar tempo em atividades triviais e inúteis. Podemos penetrar em um meio ambiente para exercitar nossas faculdades sensoriais ao passar por experiências marcantes. Ou poderemos fechar a porta de nossa mente e permanecer em nosso próprio interior, para refletir, contemplar e meditar sobre as experiências, para adquirir as lições necessárias que proporcionarão sabedoria para a ação futura. Uma porta com almofada de vidro é como a compreensão clara. Não necessitamos nos expor aos acontecimentos exteriores.

Devemos ser semelhantes a uma porta de vai e vem, tendo capacidade de girar livremente para fora ou para dentro na medida em que surja a necessidade de ajuste, ou semelhantes a uma porta giratória com seu ajuste mais completo a modificações. Ainda mais moderna é a porta acionada por células fotoelétricas que se abre sem esforço quando desejamos entrar paro descansar ou refletir ou sair para enfrentar as experiências e servir.

A porta de nossa mente deve estar aberta ao conhecimento, compreensão e sabedoria. Uma mente fechada impede o desenvolvimento e crescimento da personalidade-alma. A união entre a personalidade e a alma deve ser semelhante a uma passagem de vai e vem, sempre livre para entrada e saída à medida que surge a necessidade de ganhar experiência ou de meditar sobre as experiências. O caminho que conduz à porta do próprio Eu deve estar ladeado de belas flores e arbustos representando o místico na arte, música, literatura, ciência ou atividades recreativas que permitam a auto expressão criativa.

Esta beleza é necessária como entrada no Divino portal no interior de nosso Ser. Isto, por sua vez, nos inspirará a criar maior beleza no interior de nossa alma, assim como proporcionar prazer a outros. Podemos, por nosso amor à beleza, instilar e inspirar o mesmo amor em outros. Quando todas as portas se abrem para um mundo de beleza e todas as janelas para paisagens lindas tornamo-nos seres humanos mais felizes e saudáveis.

 

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