Imaginação e Intuição

Intuição 01

Imaginação e Intuição

Arquivos Rosacruzes

As imagens da fantasia são conjuntos de ideias que não se seguem necessariamente de maneira lógica, como uma relação de causa e efeito. Fantasias ou devaneios devem ser distinguidos de imaginação. Na fantasia não há qualquer tentativa de relacionar as ideias com probabilidades ou fatos. Não se faz esforço para determinar se uma ideia é coerente com aquilo que a segue. Todos podemos relembrar os devaneios, as fantasias de nossa infância, e perceber quão irrealistas hoje os consideramos. As alucinações sob a influência de drogas se enquadram também neste gênero de formação mental de imagens.

Na imaginação, também visualizamos ou formamos imagens mentais, porém o processo é bastante diferente. Na imaginação, aduzimos ideias. Podemos pensar com relação ao futuro, isto é, quando imaginamos podemos projetar nossos pensamentos para a frente. A imaginação origina-se no presente. Escolhe determinada coisa ou condição, e procura modificá-la, aprimorá-la, fazê-la evoluir ou mudar. Em imaginação, por exemplo, pode um homem ver a necessidade de um certo aparelho capaz de poupar trabalho. Passa ele então a visualizar as coisas que precisam ser inventadas para eliminação desse trabalho.

Nem mesmo o escritor de ficção é pessoa que produz apenas fantasias. Para manter o interesse dos leitores em sua estória, deve fazer com que ela apresente uma continuidade de probabilidade. Para a inteligência do leitor, é preciso que o conteúdo da estória possa ser enquadrado no reino das possibilidades, a despeito de quão originais ou incomuns sejam as ideias. Portanto, mesmo na imaginação observa-se a ação diretora da razão na associação das ideias; e isto é o que não se verifica na fantasia.

Quando imaginamos, também podem ocorrer intuições, induzindo a realizações pertinentes, através da “voz interior”. Na realidade, por voz interior deve-se entender intuição ou, como a Psicologia a ela se refere, discernimento interior (“Insigth”). Este discernimento interior é conhecimento indubitável que surge subitamente em nossa consciência, sem esforço de nossa parte, e que para nós é axiomático. Em outras palavras, não o discutimos devido à sua clareza aparentemente óbvia. Ele pode ter sido estimulado por algum pensamento que nos tenha ocorrido no momento ou pode ter resultado de alguma reflexão previamente concluída ou de um processo imaginário.

Em outras palavras, podemos ter estado pensando num problema cuja solução não tenhamos encontrado; subsequentemente, afastamos esse pensamento de nossa mente. O subconsciente deu prosseguimento à cadeia de pensamento. Um trabalho inconsciente, um processo mental interior, teve continuidade. No subconsciente, nos níveis mais profundos da consciência psíquica, encontra-se um grande acervo de conhecimento não aprendido. Chamamo-lo de não aprendido porque pode consistir de um conjunto de experiências de que não estávamos conscientes quando se registraram originalmente em nossa mente. Essas experiências, então, constituem uma espécie de vasto arquivo de conhecimento. É desse arquivo que a chamada voz interior nos fala, em frases intuitivas.

Esse conhecimento intuitivo é também uma forma de juízo excelente. Trata-se de um processo mental superior que recombina as ideias, de um estado amorfo para um estado de lógica irrefutável. Por conseguinte, pensamentos em que tenhamos insistido sem alcançar compreensão objetiva, são combinados, ou seja, sintetizados no subconsciente em uma unidade harmoniosa, e liberados como novo entendimento para a nossa mente objetiva. Esse discernimento interior, embora não seja sempre infalível, é digno de receber atenção, ou seja, de ser efetivamente adaptado ou aplicado, quando possível.

Essa voz interior é usualmente mais evidente em assuntos que se referem vitalmente ao bem-estar pessoal do indivíduo. Isto, por sua vez, constitui mais um exemplo de sua autenticidade. Ela sugere uma ação, positiva ou negativa, que devemos praticar para o nosso bem. Se, por exemplo, houver um perigo iminente, seremos talvez advertidos no sentido de não fazermos certas coisas que a ele nos poderiam expor. Ou, inversamente, seremos orientados intuitivamente para praticar uma certa ação positiva para evitar a ameaça, qualquer que ela seja. Esta proteção mental pode se aplicar a sérias questões domésticas, comerciais ou sociais.

Devemos evitar confundir nossos processos de raciocínio com a chamada voz da intuição ou do Eu Interior. Por exemplo, pode haver uma questão importante sobre a qual tenhamos de chegar a uma decisão, e não nos sentimos seguros quanto à resolução que devemos tomar. Começamos, então, a revisar mentalmente o problema. Estabelecemos uma determinada série de ideias ao refletirmos sobre o mesmo. Em seguida, imediatamente após terem essas ideias sido estabelecidas, nosso raciocínio percebe o que parece constituir uma falha em nosso pensamento, de modo que dizemos para nós mesmos: oh, isto não é possível, por tal ou qual razão! Esta cadeia de pensamento que se opõem é convincente, e parece uma voz interior; na realidade, trata-se apenas de uma antítese dinâmica do nosso raciocínio.

Compartilhar/strong> Artigo

Sobre o Autor

Comentários

Comments are closed.