Ética, Lei, Liberdade – Três caminhos ou um só?

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Ética, Lei, Liberdade – Três caminhos ou um só?

O caminho da reintegração, da restaura­ção da unidade espiritual da humani­dade, é um processo coletivo que se realiza não por força de aplicação de leis transitórias, mas pela força da ação de princípios morais permanentes.

No reino das limitações impostas pela queda do homem algumas regras simples – por exem­plo, as regras trazidas do alto do Sinai por Moisés – foram suficientes por um tempo para garantir um funcionamento relativamente harmonioso da sociedade coibindo desvios que eram bem conhecidos.

À medida que a ação dos homens foi se tornando cada vez menos previsível, outros princípios foram sendo desvendados e passaram a atuar mais como orientadores de rota do que como leis passíveis de punição.

As Bem-aventuranças descritas no Sermão da Montanha revelam uma alteração de perspec­tiva trazendo a responsabilidade geral para o indivíduo e sua consequente premiação por uma conduta fraterna. Os princípios vão se tornando mais gerais e abrangentes. Não basta não matar, não roubar, não cobiçar. É preciso amar o próximo como a si mesmo.

Mais recentemente, o desenvolvimento de novos meios de ação nos têm colocado diante de questões inéditas, nos impondo a necessidade de reflexões éticas não previstas por códigos de conduta já existentes. Não se pode mais pensar apenas nos problemas de ocorrência comum. É preciso prever proble­mas que podem vir a ocorrer e suas conse­quências a longo prazo.

A possibilidade de destruição (desenvolvi­mento de armamento nuclear e biológico), assim como de criação (técnicas de procria­ção com intervenção médica ou manipulação genética) disponibilizadas por extraordiná­rias façanhas técnicas podem levar tanto à reintegração da humanidade quanto a uma regressão à barbárie.

Com a intenção de se prevenirem contra problemas inesperados, algumas sociedades criaram comitês de ética, encarregados de propor atitudes coletivas diante de certos projetos de pesquisa ou da aplicação de cer­tos resultados de pesquisas. Num primeiro momento, esses comitês são úteis para ge­renciar assuntos mais urgentes. Mas não passam de um paliativo. É preciso que cada indivíduo tenha consciência de que está con­tribuindo para a evolução coletiva.

O simples fato de agir desencadeia uma série de consequências. Aquele que age atua como Ser responsável quando aceita supor­tar, pessoal­mente, o peso das consequências de seus atos.

A ética não é uma arma destinada a atin­gir o próximo, muito menos o próximo em geral – a coletividade. A ética serve unica­mente para melhorar a nós mesmos, não para repreendermos os outros.

A ética é a arte de escolher o que melhor convém à coletividade, é a arte de viver cole­tivamente da melhor forma possível. A ética é a arte de querer que aconteça o que é de melhor para todos e de fazer o que estiver ao alcance para que os problemas se resolvam da melhor forma possível para todos. É tra­tar as pessoas como pessoas, é sermos capa­zes de nos colocar no lugar de nossos seme­lhantes e de relativizar nossos interesses para harmonizá-los com os deles. É aprender a considerar os interesses do outro como se fossem nossos e os nossos como se fossem dos outros, ao contrário da guerra que é a arte imoral de suprimir o outro em vez de tentar colocar-se em seu lugar.

Basicamente, a ética consiste de leis per­manentes não restritas a tempo e espaço cuja consciência não nos é inata. Vamos constru­indo nosso comportamento ético junto com nossa personalidade. Em última instância, trata-se da construção da consciência cole­tiva, que é a única força que pode manter uma civilização nobre e culta.

A ética constitui-se de leis imanentes que garantem a liberdade de todos. Ética, lei e liberdade não se separam. – S.I.

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