A Espera da Felicidade

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Margaret Ross, SRC

Sermos pródigos com nossos talentos, hoje, é o único meio de acumularmos genuína satisfação para o amanhã.

Era eu ainda uma colegial cheia de sonhos literários quando tive a oportunidade de encontrar Pearl Buck. Lembro-me como disparava meu coração e como me era difícil respirar quando timidamente admiti que, também eu, queria ser escritora.

A face de Pearl enterneceu-se de compreensão.

– Quer trabalhar arduamente? – Perguntou-me.

– Oh, sim – respondi.

– E não esmorecerá ou se tornará impaciente se isto levar muito tempo?

– Não.

– Bem – disse ela – então há uma coisa que deverá lembrar.

Vibrei de excitação. Que coisa maravilhosa a me acontecer! Pearl Buck ia compartilhar comigo seu próprio segredo, sua fórmula mágica, que me tornaria uma grande escritora!

– Lembre-se apenas disto, minha querida – disse ela. O resto virá naturalmente: jamais escreverá bem enquanto não for feliz escrevendo; e jamais será feliz em seu trabalho enquanto não colocar o melhor de si em tudo a que se dedicar. Haverá a permanente tentação de reservar o “melhor” para a grande história ou o grande romance que vai escrever “algum dia”. Lembre-se do que lhe digo: seja sempre pródiga com seu trabalho, e você terá reservado sempre o melhor.

Procurei dissimular meu desapontamento. Pearl Buck falou acertadamente, disse eu para mim mesma; porém, por que não me ofereceu algo concreto com que trabalhar, uma regra infalível de técnica, em vez de um conselho trivial?

Nos anos que se seguiram, todavia, a sabedoria de sua advertência começou a revelar-se. Sempre que me sentava à máquina, defrontava-me com a tentação de economizar um pequeno diálogo, um novo símile, ou uma expressão especial para o “próximo” conto ou artigo – que seria muito superior ao que agora estava escrevendo.

Nesses momentos, lembrava-me da recomendação de Pearl Buck, e, hoje, anos mais tarde, posso compreender que, sem seu conselho, eu provavelmente jamais teria tido um só trabalho aceito. O que é ainda mais importante, contudo, é que lhe devo a gratidão pelo mais valioso de todos os presentes: a felicidade em meu trabalho.

Falei dessa ocorrência a um dos analistas de uma importante clínica psiquiátrica.

– É claro – observou ele. – A regra que ela lhe ofereceu aplica-se a todos os aspectos da vida; e se todos disso se lembrassem, não teríamos tantos doentes como agora temos. Poderá verificar, se observar nossos registros de casos, que há bem menos casos de desajustamento pelo fato de homens e mulheres estarem desenvolvendo um tipo incompatível de atividade, vivendo num local inadequado, ou casados com o parceiro errado, do que pelo fato de que certas pessoas jamais aprenderam a colocar o melhor de si no trabalho que realizam. Esperam que a vida comece amanhã, na semana que vem, ou no próximo ano. Parecem incapazes de perceber que sua vida é agora.

Há sempre milhares de pessoas – maridos e mulheres, filhos e filhas, amigos e vizinhos – que deixam passar as ocasiões de realizar pequenas coisas por aqueles a quem amam, porque os favores que agora são capazes de prestar parecem muito insignificantes em comparação com as generosas dádivas e atenções que pretendem proporcionar num futuro indefinível.

E assim prosseguem, ano após ano, até que a oportunidade tenha passado, ou, pior ainda, até que o impulso de generosidade se tenha atrofiado por falta de uso. E então se perguntam por que outras pessoas parecem encontrar as ocasiões propícias, e a vida dos outros é tão mais plena e rica do que a sua.

Não espere mudar-se para uma vizinhança maior e “mais interessante” para começar a fazer amigos. Comece e poderá maravilhar-se ao descobrir como são interessantes as pessoas que vivem ao seu redor.

Não espere adquirir a “casa dos seus sonhos” para dar o melhor de si no tocante aos cuidados domésticos e à hospitalidade. Faça-o agora, e o mais humilde lar refletirá um viver pleno e gratificante.

Não espere por um ofício melhor para fazer o melhor trabalho; faça-o agora, e seu chefe saberá quando o tiver superado.

Não espere que possa fazer aquela viagem sonhada para começar a apreciar a beleza da natureza. Aquele que se absorve na beleza do Grand Canyon é o que primeiro reconhece a beleza de uma simples flor ou erva em seu próprio quintal.

Se você não é feliz como gostaria de ser, ou se acha que a vida é verdadeiramente penosa, procure viver em plenitude o agora. Maravilhar-se-á com a diferença que isto causará – e enquanto aproveitar o melhor do presente, o futuro disto decorrerá naturalmente!

 

* Saiba mais sobre Pearl Buck- https://pt.wikipedia.org/wiki/Pearl_S._Buck

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