Educando para a Criatividade

criatividade

Educando para a Criatividade

Excerto do livro A criatividade

no centro de nossa vida de Daniel Pierre, FRC

 

No passado, durante muito tempo foi considerado que as crianças deviam simplesmente reproduzir o que nós lhe incutíamos, tanto em casa como na escola. Eis porque a criatividade foi muitas vezes sufocada por nossas práticas educativas.  Se até a idade de sete anos o problema surge apenas à margem, a negação da necessidade criativa torna-se, posteriormente, cada vez mais prejudicial.

No meio familiar, o exemplo do comportamento dos pais é capital para o desenvolvimento de seus filhos. Pais criativos colocarão os jovens da casa em um mundo propício à expressão de sua criatividade. Quaisquer que sejam os centros de interesse da família, é sempre a conduta adotada que prevalece. No cerne desta atitude, encontramos uma virtude essencial: a confiança. Sem ela, não há audácia possível e sem esta ousadia não há espaço para os atos criativos.

No meio escolar, a questão se coloca de maneira idêntica. A partir do momento em que os aprendizados da língua e da matemática se tornam o objetivo central, pais e professores tendem a considerar que as outras disciplinas não são úteis em um mundo regido pelo culto do desempenho e da competição. Pelo lado dos adultos, é mostrar a dificuldade de acesso ao seu próprio potencial, assim como ao potencial dos alunos. Considerando que a criatividade é exercida em todas as atividades humanas, não seria errado pensar que ela só é possível nas disciplinas ditas “secundárias”, como as artes plásticas ou a dança. Na realidade, a criatividade das crianças deve ser solicitada até mesmo nas áreas da língua e da matemática. Mas a maioria dos adultos tem dificuldades em propor esses aprendizados de modo criativo. Sejamos então criativos também neste aspecto, a fim de tornar as próprias crianças criativas!

Para tornar mais explícito esse propósito, dou um exemplo relacionado a problemas geométricos. Em vez de dar em primeiro lugar uma formação abstrata, teórica, sobre a manipulação dos instrumentos indispensáveis aos desenhos das figuras e sobre as propriedades características das formas geométricas básicas, é mais interessante propor aos alunos um problema motivador cuja apresentação é quase análoga à apresentação de um enigma. As tentativas individuais de resolução serão passos para a compreensão do sentido das aprendizagens em jogo. No entanto, esta abordagem impõe que os adultos criem uma instigante situação inicial, ou seja, demonstrem sua capacidade criativa. Em outro nível, esta reflexão foi conduzida por universitários que lamentam que os estudantes sejam avaliados unicamente por seus conhecimentos intelectuais e quase nunca avaliados por sua capacidade de audácia e criatividade.

Resumindo, seja no meio familiar ou no meio escolar, observemos o modo pelo qual os jovens procuram compreender o mundo em vez de lhes impor nossa própria visão limitada. Assim, nós lhes permitiremos liberar as forças criativas que trazem em si e estaremos em condições de nos posicionar muito mais como guias do que como partidários do autoritarismo. Esta maneira de pensar não se opõe absolutamente à ideia de disciplina, muito ao contrário, ela a torna bem mais vívida. Evidentemente, isto nos remete a um profundo questionamento de nossos hábitos e a uma observância das etapas da nova abordagem a ser aplicada.

 

Compartilhar/strong> Artigo

Sobre o Autor

Comentários

Comments are closed.