Beleza é Verdade

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Beleza é Verdade

Carol H. Behrman, SRC

O poeta inglês John Keats escreveu:  “Beleza é verdade, e verdade, beleza; isto é tudo que se aprende na Terra e tudo que se precisa aprender.”

m nossa era prática, científica, os êxtases românticos de Keats podem parecer apenas exagero poético. Todavia, quando nos lembramos de que nas épocas pré-históricas somente o homem, de todas as criaturas que habitavam em cavernas, sentia a necessidade interior de esculpir e pintar figuras nas paredes de sua morada para imprimir beleza a uma existência fria, difícil, torna-se claro, então, que o poeta estava simplesmente afirmando, em termos líricos, uma necessidade genuína da humanidade: a busca da beleza. Para essa criatura complexa, o homem, a vida deveria realmente ter beleza para ter significado. Sem ela, a existência seria vazia, estéril, e não ofereceria recompensas. A fome de beleza que inquieta sua alma é em tudo tão real quanto à necessidade de alimento para seu corpo.

A busca tem início no berço. Quando a criança olha para cima e vê a expressão meiga e amorosa no rosto da mãe, sente o afago de seus braços macios, essas coisas têm para ela tão infinita beleza que seu choro cessa e ela sorri com terna apreciação por essas dádivas. Seus primeiros brinquedos são coisas de forma e cor maravilhosas: o redondo de uma bola, o quadrado de um bloco, o vermelho de uma fita, o tilintar de um chocalho.

À medida que a criança cresce, toda experiência nova, toda visão nova constitui-se em surpresa e deleite: a cor de uma flor, a forma de uma folha, a textura da areia, o paladar do sorvete cremoso. Sente a emoção da proeza no controle de uma bicicleta, na defesa de uma bola, e conhece a satisfação profunda de partilhar das alegrias e tristezas de um amigo. A cada mudança de estação, novas maravilhas podem ser encontradas, exploradas, experimentadas e desfrutadas: as inúmeras belezas da primavera, a exuberância de divertimentos do verão, o esplendor agitado do outono e as delícias geladas do inverno. Estas belezas são novas, estimulantes e maravilhosas para uma criança. E na escola, a criança que é afortunada em ter professores inspirados, recebe conhecimento de forma tal que passa a amar sua ordem, sua beleza, suas infinitas possibilidades e domínios.

Quando a criança se torna adulta, as coisas que antes eram milagres podem parecer banais, porém novas experiências e novas belezas lhe estão reservadas: a maravilha de descobrir sua própria personalidade e capacidade, as alegrias da criação e realização a serem encontradas no trabalho, a beleza insuperável da faculdade de amar, e a magia maravilhosa da paternidade e maternidade.

O homem não pode viver sem beleza. O pragmático mais materialista deve sentir alguma beleza em sua vida, seja o brilho do diamante, o toque da seda, o reluzir do ouro. O negociante encontra prazer na ordem e controle de seus negócios, o trabalhador, na execução perfeita de uma tarefa. Desventurado é aquele cuja capacidade de ver a beleza extinguiu-se, pois, essa pobre alma é um cadáver ambulante; o trabalho torna-se maçante e sem sentido, o amor dever desagradável, e a alegria uma emoção desconhecida. As glórias do universo para ele não existem.

Bem-aventurado é aquele que aprendeu, desde a infância, a dedicar-se completamente à vida, para que possa ver, sentir, e regozijar-se com as belezas que o cercam. Cada estágio da vida é um portal para o encantamento, revelando novas maravilhas jamais sonhadas. Toda primavera ele renascerá, todo outono ele concretizará realizações. Ele poderá sentir a alegria sublime da união com Deus e o universo, e será amparado nas inevitáveis tristezas, frustrações e perigos que surjam em seu caminho.

Pais, ensinem o seu filho a reconhecer e apreciar a beleza e, com isto, ele estará equipado com uma armadura contra a adversidade e um canal exclusivo para a música dos anjos.

 

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