A Verdadeira Humildade

Por RUTH OLSON, SRC

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Sabemos que é necessário respeitar e amar aquela faísca da Divindade – o “Eu Superior” que reside dentro de todos nós –, mas não podemos esquecer de que, como místicos aspirantes, cabe a nós ter sentimentos semelhantes também pelo eu profundo dos outros. E isso deve acontecer independentemente do comportamento externo distorcido que as pessoas possam algumas vezes apresentar. Algumas pessoas – tenho certeza de que todos podemos citar alguns nomes – irradiam amor e contentamento. São seguras de si e felizes e refletem sua santidade interna aceitando totalmente os outros da forma como são, “com espinhas e tudo”. Nos referimos a essas pessoas como sendo humildes.

No nosso dia-a-dia descobrimos que, ao explorarmos o eu, o pensamento, o ser emocional, somos levados a fazer ajustes necessários de todo o tipo. Quanto mais nos conscientizamos do nosso eu, de nossa vida e de nossos sentimentos, mais percebemos os atributos dos outros e os nossos próprios atributos.

Descoberta

Precisamos cultivar nossa consciência de ser e provar que somos dignos do caminho da descoberta interna que escolhemos trilhar. A regra de ouro diz: “Amar o próximo como a si mesmo”. O problema é que a maioria das pessoas não ama a si mesma. À medida que sondamos cada vez mais profunda­mente nossa consciência interna e vamos tendo a necessidade de entrar em contato com aquelas características que realmente nos representam, percebemos a natureza maravilhosa da personalidade.

O fato é que muitos de nós quase não conhecem o seu eu profundo, um aspecto humano mais amplo conhecido pelo místico como a Personalidade-Alma. Essa descoberta em como resultado de uma introspecção profunda e muitas vezes dolorosa. À medida que começamos a elucidar nossa própria natureza verdadeiramente complexa, precisamos evitar criticar aquilo que encontramos. Em vez de enfatizarmos as deficiências que descobrimos, deveríamos concentrar nossa atenção nas qualidades de que gostamos. Quando reforçamos esses pontos, o bem começa a sobrepujar os aspectos problemáticos. Em outras palavras, podemos eliminar o indesejável dando ênfase àquelas coisas que queremos conservar. Essa é a forma mística de transmutar.

 Ser Humilde

Há dois tipos de humildade, e todos nós temos nosso exemplo predileto de um conhecido que acreditamos de fato representar o significado dessa palavra. É provavelmente uma pessoa que, de alguma forma, relegou coisas importantes em sua vida a uma posição inferior. Talvez seja alguém bem sucedido – sem ser agressivo ou dominador – ao mesmo tempo em que se mantém cortês, afável e atencioso com os outros. Ou talvez seja alguém que possa ser descrito como “autoconsciente” em vez de “centrado em si mesmo”.

Muitos de nós nos preocupamos com a ideia de termos que ser humildes; o que parece uma meta louvável. Mas o que é ser humilde? Quando descobrimos o cerne ilusório da verdade, então podemos aprender sua natu­reza; em outras palavras, não ten­tan­do ser humildes, pois uma humildade que se intitula dessa forma pode ser irritante na sua falsidade. Que as pessoas geralmente não têm humildade é evidente, pois elas têm uma tendência a se menosprezarem. Alguns exemplos disso são os indivíduos partidários da autocensura; ou aqueles que adotam uma atitude bajuladora; ou aqueles que agem da forma mais submissa do que o necessário. São poucos. Essas pessoas merecem ser pacientemente compreendidas, pois desco­nhecem a razão de seu próprio comporta­mento, razão essa que está escondida no seu subconsciente.

Quando mais tentamos ter humildade, menos conseguimos tê-la. O esforço para manter o pensamento que diz que você é humilde quase nega a possibilidade de que seja humilde. As marcas da humildade são a modéstia e uma forma de despretensão. Trata-se de uma coisa bem sutil, pois não representamos essas características em nossas ações. O que chamamos de verdadeira humildade é, na realidade, uma aceitação inconsciente de si mesmo. O indivíduo humilde não é submisso nem bajulador, e nem lhe falta ambição.

Se fôssemos criar algumas palavras-chave que descrevessem com palavras comuns o estado de humildade, essas poderiam ser: imparcialidade, consideração, generosidade, autoconhecimento e assim por diante – todos em sua versão plus. Mas palavras-chave negativas também surgiriam como: arrogância, mediocridade, egocentrismo, baixa auto-estima, humilhação e outras parecidas. Aqueles que fazem pontos no lado positivo eliminaram a dependência egocêntrica do auto-engrandecimento e da abnegação excessiva, e atingiram um meio-termo feliz que pode ser chamado de ‘humildade’.

Lembre-se sempre e cite sempre o fato de que somos todos seres maravilhosos, uma combinação de corpo com sentidos e sensações ligados a um Ser interno cheio de entusiasmo. Esse ser interno que nos ouviu nos menosprezando por tanto tempo, agora precisa ouvir como somos maravilhosos. Se seguíssemos essa linha de comportamento diariamente, perceberíamos mudanças acontecendo conosco, mudanças essas que nos levariam gradativamente à plenitude da vida e a um crescimento inconsciente na humildade.

 

 

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