A necessidade de agradecer

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A necessidade de agradecer

Harvey Spencer Lewis, FRC

Neste momento em que o mundo parece perturbado por pensamentos destruidores, pela inquietude por nossas posses, por nossos recursos mundiais e pela ansiedade a respeito daquilo que pensamos que precisamos e devemos ter, há uma coisa que devemos cuidar, e esta é a dádiva de que desfrutamos sob forma de vida e consciência. Assim sendo, nossa maior necessidade nos tempos atuais é a de uma apreciação mais profunda daquilo que temos tido e daquilo de que ainda desfrutamos.

Se pararmos e pensarmos por um momento, perceberemos que há uma coisa fantástica na vida que não pode ser comprada, não pode ser artificialmente fabricada, não pode ser decretada por nenhum ato governamental, não pode ser legislada nem suprida humanamente. Essa coisa fantástica é a própria vida. Podemos melhorar nossa saúde, podemos fazer coisas para aumentar nossa longevidade, podemos ser capazes de adquirir ou criar coisas que tornem esta vida temporariamente feliz, mas todas estas coisas dependem do primeiro requisito fundamental: a vida mesma.

Sem vida não há necessidade de saúde; sem vida não há necessidade de felicidade e paz; sem vida não há necessidade de qualquer das coisas que o homem criou ou que os impérios organizaram ou o que o homem possa imaginar e, no entanto, a vida nos é dada abundantemente pelo Deus do nosso coração, o Pai de todos nós. Ela é algo que não pedimos no começo e é algo que não podemos controlar no fim. É algo que é dado a todos nós igualmente, independente de credo, religião, posição social ou formação educacional.

O mais humilde homem sobre a terra desfruta da vida, em toda sua essência vital, tão livremente quanto aqueles de grande poder, posses e conquistas materiais. E, no entanto, os que têm abundantemente das coisas terrenas percebem que essas posses são absolutamente sem valor quando chega aquele momento em que a vida parece preste a se esvair e a ser tirada tão livremente quanto foi dada.

 

Os Dois Grandes Mistérios

Dois grandes mistérios deveriam chamar nossa atenção mais do que qualquer outra coisa no mundo: o primeiro é aquele do início e da dádiva da vida que recebemos, e o segundo é o da sua retirada e sua existência posterior.

Entre estes dois eventos – a criação da vida e a sua transição deste corpo terreno – estão todos os excitamentos e fascinações de importância menor, aos quais o ser humano dá proeminência, aos quais dedica a maior parte de seus pensamentos, e para a aquisição dos quais até sacrifica a si mesmo e à sua vida.

E quando falo da vida que nos é dada como seres humanos, eu deveria incluir e de fato incluo também a vida que é dada às flores, às árvores, à grama, ao trigo e aos outros grãos e a todas as plantações. A todas as coisas que vivem e crescem e nos dão sustento e nutrição em abundância. Nenhuma dessas dádivas de Deus, é controlável pelo homem, no que tange a origem de sua criação. Contudo, cada uma delas é um presente espantoso, miraculoso, a que raramente damos a devida atenção, apreciação e gratidão.

Por isso, lembremo-nos sempre de ser gratos pela mais abundante de todas as dádivas – a dádiva da vida e de tudo o que vive. E expressemos esse agradecimento não só nas igrejas e templos, ou nas cerimônias religiosas e festivas. Expressemos nosso agradecimento não apenas num único dia do ano, mas pela vida cotidiana.

Vamos expressá-lo de modo menos ritualístico, de forma menos cerimonial, mas com verdadeira sinceridade em nosso coração e de uma maneira que transmita aos outros uma nota de alegria, uma nota de júbilo.

Uma palavra gentil ou um sorriso gentil dado à outra vida é um dos melhores meios de expressarmos nossa apreciação. Fazer os outros sentirem que somos muito felizes porque temos vida, que desejamos que eles sejam felizes graças e com a mesma vida, é um modo verdadeiramente apropriado de expressarmos nossa gratidão; ajudar outras pessoas a encontrar a solução para seus problemas ou a detectar as coisas que as tornam infelizes, é uma outra maneira; mas com certeza o modo mais definitivo é sentir em nosso próprio coração, e permitir que saia de nossos lábios, uma palavra de agradecimento e apreciação ao Deus e Pai de toda a criação.

Nessa maior apreciação da vida, tornar-nos-íamos menos dispostos a destruir a vida, a maltratar a vida ou a torná-la mais triste para os outros. Por essa razão, igualmente, todos os pensamentos de guerra cessariam e todos os pensamentos de destrutividade desnecessária chegariam a um fim. Mas suplantamos nossa gratidão e apreciação com inveja e desejos de poder materialista…

Se uma grande parte do mundo e sua população pudesse entrar verdadeiramente num espírito de gratidão pela vida em si, então a inquietação e o desejo por coisas que só podem ser conseguidas através da destruição da vida chegariam ao fim e deixariam de existir.

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