A Família – Formadora de Gerações

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A Família – Formadora de Gerações

Carol H. Behrman, SRC

Confrontados com o termo “educação”, quase todos nós evocamos facilmente a figura de um prédio escolar, salas de aula, diretor, corpo docente, livros, quadros negros, giz, papel, lápis, e assim por diante. Esta é uma imagem conveniente, mas não um quadro real da educação.

Nosso sistema escolar é apenas um dos métodos empregados pela sociedade para o treinamento e educação dos jovens. É um instrumento e não um processo global porque a educação em si mesma é um curso que dura a vida inteira, um rio que começa a fluir no dia em que nascemos e continua seu fluxo dentro de nós, ao nosso redor, por todos os dias de nossa existência. Tudo e todos que nos tocam contribuem para nossa educação. Nossos mestres não são aqueles que ficam diante dos alunos, são também os nossos amigos, vizinhos, parentes, livros e jornais, filmes e televisão e, mais que tudo, nossos pais.
Existe hoje uma tendência para depreciar o papel da família na educação da criança, e enfatizar o da escola. Na verdade, a escola desempenha uma função imensamente importante, vital mesmo, mas é o lar que fornece o solo e as sementes que, plantadas e alimentadas, se transformam nas ideias e atitudes fundamentais de uma pessoa.
Não é sempre exatamente assim.

A família, como unidade básica da sociedade é, infelizmente, uma entidade obviamente imperfeita, a julgar pelos trágicos enganos e abismais profundezas em que a sociedade está mergulhada. Crescemos com a carga de inúmeros e sombriamente fascinantes complexos, neuroses e ideologias contaminadas, muitas das quais, talvez a maioria delas, foram absorvidas dos desvios e limitações conscientes e inconscientes de nossos pais. É preciso admitir que os resultados são, com muita frequência, assustadores.

Muitos sociólogos, psicólogos, antropólogos e outros experts “ólogos”, nos dizem que a unidade familiar está superada, é um anacronismo, um fóssil interessante. Deve haver, dizem-nos, um modo melhor, mais eficaz, de criar um ser humano capaz de enfrentar o mundo cada vez mais complexo do presente e do futuro. Oferecem-nos um variado sortimento de planos detalhados de sistemas de escolas maternais e de estudos que controlarão e manipularão o desenvolvimento do indivíduo desde sua infância.
Esses sistemas são uma grande tentação em face dos deploráveis resultados de nosso sistema atual, mais indiferente, e tendo em vista especialmente a aparente desorientação da vida familiar em nossa sociedade de hoje. O emprego de papai exige que ele passe cada vez mais tempo fora de casa, ele nunca está presente para prover o forte símbolo de segurança, essencial para um lar estável. Mamãe, também, está sendo seduzida para deixar seu papel tradicional e lançando-se com espontânea alegria à oportunidade de realizar-se através de um salário, no mercado de trabalho. Assim, cada vez mais, um vazio está sendo criado, o qual, dizem-nos, só pode ser preenchido pelos recursos públicos de educação da criança desde o berço até a maturidade.
É para isto que estamos caminhando? Se é, como será o “homem do futuro”, produto de um ambiente objetivo cuidadosamente controlado? Ele se libertará das ambiguidades e conflitos íntimos do tipo de indivíduo das famílias do passado? A resposta é, muito provavelmente, sim.

Mas também é muito provavelmente verdade que ele estará livre de outras emoções perturbadoras e ineficazes como o amor, a compaixão e o enlevo. Ele estará liberto dos sentimentos inquietantes e até mesmo torturantes que deram surgimento às mais altas expressões humanas na poesia, na literatura, nas artes e na música. Ele terá se desvencilhado dos grilhões das emoções que diminuem e corrompem o homem, mas ao mesmo tempo perderá as paixões que enobrecem o homem e dão sentido à vida, pois não há amor sem ódio, alegria sem tristeza, nem êxtase sem desespero. Nosso homem, doutrinado em grupo, será um bom e obediente robô, um fazedor de produtos, não de sonhos, um pragmático sem aspirações nem ideais.

A unidade familiar embora imperfeita é, até hoje, o único instrumento inventado pela sociedade para produzir um homem humano acossado por fraquezas humanas, mas com os olhos postos nas estrelas. Uma família mais forte, não mais fraca, é a nossa única esperança para o surgimento do homem capaz de alcançar as estrelas não só fisicamente, mas espiritualmente.
O reconhecimento da importância da parte da educação total que é ministrada no lar é essencial se quisermos que a família seja fortalecida para poder se tornar a formadora das gerações futuras, superiores às que as precederam. Nossas escolas podem ensinar história, matemática, ciências e literatura, mas é principalmente em casa que adquirimos as atitudes e padrões com os quais avaliamos essa poderosa concentração de conhecimentos. Os valores morais são por demais importantes para ficarem entregues a ocorrências fortuitas e máquinas impessoais de ensinar.

Os pais de hoje estão sendo assediados por todos os lados e por todos os meios com a dificuldade e inutilidade de sua tarefa, quando o que precisam é de encorajamento, orientação e confirmação do valor supremo do lar como alicerce da educação.
O mais moderno e progressista complexo de escolas só poderá arruinar-se e fracassar se for construído sobre bases enfraquecidas. Essas bases devem ser fortalecidas e revigoradas. Recai sobre nossos líderes e sobre os responsáveis pelas comunicações o dever de ajudar os pais a desempenhar seu vital papel na educação, para que, juntamente com as escolas, possam criar um homem melhor para o futuro.

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