A Desigualdade Humana

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A Desigualdade Humana

Pearl E. Gerow, FRC.

Por que são os homens tão diferentes, cada qual tão singular e dessemelhante do outro? Quando Lincoln falou, em seu discurso em Gettysburg, da “proposição de que todos os homens são criados iguais”, estava exprimindo um pensamento filosófico duvidoso. Eles são iguais, ao nascer, em capacidade mental, saúde e aptidões físicas, moral ou oportunidades? As enormes desigualdades que sabemos existir, impedem qualquer suposição de que os homens nascem em condições iguais. Lincoln teria estado muito mais perto da verdade se dissesse, à semelhança de Ingersoll, que “somente na democracia dos mortos são os homens, finalmente, iguais.”

Pode a questão de a diferença ser explicada pela hereditariedade ou pelo meio ambiente? Em qualquer família as crianças são, todas, diferentes. Alguns irmãos e irmãs são tão dessemelhantes, que parece incrível que tenham os mesmos pais.

É a hereditariedade o fator determinante da personalidade? Ou será o meio ambiente? Os criminosos e desajustados, muitas vezes saem de lares onde havia plenitude de oportunidades, amor e encorajamento. Grandes homens têm, também, frequentemente, se destacado na vida, vencendo circunstâncias extremamente difíceis. Georges Washington Carver nasceu escravo, porém, criou suas próprias oportunidades e tornou-se grande. Mais ou menos na mesma época nascia um menino, na Nova Inglaterra, em uma família inteligente, de boa reputação e amplos recursos. Era tão inteligente, que lhe foi oferecido trabalho sob a supervisão de Thomas Edison. Ele rejeitou o convite, fugiu, destruiu a saúde com bebidas e passou os últimos anos de sua vida em um hospício. Caso o meio ambiente fosse o fator decisivo, o escravo teria sido o fracasso, e, o outro homem, o sucesso.

É possível que um outro fator desconhecido – um fator que tenha sido esquecido – explique as diferenças morais e espirituais, assim como as variações artísticas e mentais? A religião cristã apresenta a premissa de que a vida é eterna. Eterna significa sem começo ou fim. Quanto ao que ocorreu antes de ter o homem nascido, não é dada explicação.

Isto, todavia, poderia ser – na verdade, deve ser – a razão das desigualdades entre os homens. Em alguma parte, em alguma ocasião, cada qual deve ter se tornado merecedor da vida que recebe, e ter desenvolvido por seus próprios esforços, os talentos e capacidade que ora expressa. Somente uma ou mais vidas anteriores pode explicar essas desigualdades.

Esta não é uma teoria ou explicação nova. É mais antiga do que o cristianismo. A lei do renascimento ajustou e deu uma explicação para as aparentes injustiças da vida. Afirma ela que o espírito, ou alma, é imortal, sendo atraído para a condição e circunstâncias em que melhor possa se desenvolver. Os talentos e faculdades são o resultado de esforços e hábitos anteriores; as atrações e aversões, o resultado de associações passadas.

À luz de semelhante explicação, a conclusão lógica pareceria ser a de que a hereditariedade – nossas aptidões e faculdades inerentes – é o conjunto de ferramentas que conosco trazemos para a vida, e o meio ambiente o “campo” no qual aprendemos as lições e realizamos o nosso trabalho. Aquilo que fizemos e fomos em vidas passadas, determina o nosso caráter e aquilo que somos.

Isto não quer dizer, todavia, que a pessoa que está vivendo uma vida difícil pode estar pagando por erros passados, nem que a pessoa que tem uma vida de bonanças está recebendo um prêmio. Assim como o estudante excepcional pode ser promovido para uma classe onde seus estudos serão mais difíceis ou um profissional que executa determinado trabalho de maneira satisfatória, pode receber maior responsabilidade, assim também, a vida nos oferece circunstâncias que testam a nossa capacidade. A vida difícil pode ser a vida triunfante. Cada pessoa cria sua própria vida. Não é a hereditariedade, não é o meio ambiente, mas a sua própria consciência – a florescência de todos os seus pensamentos e ações em vidas passadas e na presente – que estabelece a diferença em oportunidades e bênçãos.

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