A autoridade na Educação

Serge Toussaint, FRC.

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A autoridade na Educação

Até os anos 1960 ela era de caráter autoritarista, tanto no seio das famílias quanto na escola. As punições eram muitas vezes excessivas e os castigos corporais, frequentes. Batia-se nas crianças, por vezes violentamente. Tendo se tornado pais, essas gerações de crianças adotaram uma atitude diametralmente oposta e se mostraram permissivas, a ponto de proibirem-se de proibir. Passou-se, portanto, de um extremo a outro, em detrimento da educação. Ora, se por um lado o autoritarismo é algo que deve ser banido, por outro a autoridade é uma necessidade para se guiar as crianças e lhes dar referências. É preciso simplesmente cuidar para que ela seja medida e privilegiar o máximo possível o diálogo e a comunicação.
 
A propósito de diálogo e de comunicação, é muito importante que as crianças possam falar de seus problemas e de suas preocupações a seus pais. Isto pressupõe que estes estejam disponíveis e dediquem tempo para lhes escutar – incentivando essa troca, caso seja necessário. De fato, algumas crianças são mais introvertidas que outras e sentem mais dificuldades para se confidenciar. É preciso, portanto ajudá-las a se abrir a fim de que não guardem para si receios, medos, angústias ou inquietudes que poderiam perturbá-las no plano interior. Vistos por este ângulo, os pais devem ser também amigos para seus filhos e ter sua confiança.
 
A autoridade está ligada a outra noção: a hierarquia. Com o tempo, esta última assumiu uma conotação negativa, a ponto de ser agora rejeitada e até mesmo combatida. É por isso que não se aceita mais obedecer ou se submeter a uma pessoa que ocupa uma posição mais elevada no organograma de uma empresa, de uma associação, de uma corporação etc. Essa propensão à desobediência ou ao desafio se explica por uma tendência generalizada ao igualitarismo, fundado sobre a vontade de agir de modo que “todos sejam iguais a todos” e que não haja relações hierárquicas. Tal tendência exerce uma influência negativa sobre a educação, o que explica notadamente o porquê de as crianças não terem mais senso de obediência e se oporem à autoridade.
 
Queiramos ou não, a autoridade e a hierarquia são necessárias numa sociedade organizada. Dizer o contrário revela também uma posição ideológica que cultiva a anarquia, com o risco de – sob pretexto de se “restabelecer a ordem” – fazer emergir uma ditadura. A esse respeito, permitam-me lembrar as palavras de Platão, proferidas na aurora do declínio da civilização grega:
“Quando os pais se habituam a deixar os filhos fazerem o que quiserem, quando os filhos já não levam em consideração as palavras dos pais, quando os mestres tremem diante de seus alunos e preferem adulá-los, quando finalmente os jovens desrespeitam as leis porque não reconhecem mais a autoridade de nada e de ninguém acima deles, então lá está, em toda a sua beleza e juventude, o princípio da tirania.”

 

* Excerto do livro A EDUCAÇÃO – Salvaguarda da humanidade – de Serge Toussaint, FRC.

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